Antoninho Marmo Trevisan
Antoninho Marmo Trevisan
Dilemas e
perspectivas
profissionais
A Secretaria do Trabalho do governo norte-americano acaba de publicar a lista negra das profissões em extinção. Pobre de quem se preparou para exercer alguma delas. Diz o estudo que nos próximos 10 anos não haverá mais fazendeiros. Presumo que as fazendas serão tocadas por robôs ou por computadores. Ou talvez cavalos e vacas vão se unir a plantações de soja e, juntos, decidirão sobre a melhor ração e o adubo mais adequado assim como a melhor época para o plantio. Ou, tudo isso estará sendo feito por softwares, o que parece mais provável.
Também afirma o estudo que serão extintas as profissões de contador e auditor. Eu e mais 300.000 companheiros que, no Brasil, exercem essas profissões iríamos para o espaço? Que revolução! Pesquisa daqui, estudo de lá, olho ao meu redor e vejo que, de fato, o contador e o auditor tradicional não terão lugar nos próximos anos. E, mais grave ainda: quem acha que o bom auditor ou contador é aquele que tem cabelos brancos (aliás, como é o meu caso) está redondamente enganado. É que as mudanças foram tão acentuadas que o estoque de conhecimento adquirido nas últimas duas ou três décadas não só adiciona muito pouco valor como atrapalha em certos casos.
E tem mais. Quem está na faixa dos 40 anos ou mais viveu a terrível reserva de mercado da informática. Aquela que nos impediu de compartilhar os avanços da computação, da eletrônica dos controles numéricos e da telenformática.
Como é duro tirar essas teias de aranha de corações e mentes. É por isso que as empresas contratam jovens cada vez mais jovens. Quando comecei minha carreira para chegar a sócio de uma empresa de auditoria, levava-se perto de 20 anos de esforço e dedicação. Hoje com 7 a 10 anos, antes de completar 30 anos de idade, a moçada já chega lá. Por quê? Porque adquirem conhecimento com muito mais velocidade do que nós. Saber ficou mais simples. Não se depende do superior imediato ou do tutor. Daí, a média da idade dos profissionais de empresas de auditoria e de consultoria cai vertiginosamente. As que têm gente experiente em práticas antigas passadas e ultrapassadas só sobreviverão se conseguirem reciclar seus quadros, com muito treinamento. Mas terão antes que se esforçar muito para desaprender os conhecimentos adquiridos hoje - inúteis - coisa que não é fácil porque ninguém sabe exatamente o que deveríamos estar aprendendo.
Resta-nos prestar enorme atenção no mercado. Identificar o que quer, do que precisa, ou vai precisar o cliente e adaptar-se a ele. Moldar-se às suas necessidades e não repetir, só para manter a tradição, o mesmo jeito de fazer as coisas ou a mesma forma de solucionar problemas. Compartilhar parcerias e desenvolver alianças parece ser um bom começo. E mudar, mudar sempre. Claro que dá muito trabalho, mas oxigena o cérebro e não deixa o nossa profissão entrar em lista de extinção.
- ANTONINHO MARMO TREVISAN é presidente da Trevisan Auditores e Consultores





