Não há dúvidas que há méritos na iniciativa do governo em responder ao clamor das ruas com o lançamento de um pacote anticorrupção. Ação como reação aos anseios da opinião pública é o que se espera do governo no autêntico ambiente democrático.
O pacote engloba sete peças legislativas diferentes: tipifica o caixa dois como crime; formaliza a incompatibilidade de ganhos dos servidores em relação ao patrimônio também como ilícito; regulamenta a alienação antecipada de bens dos envolvidos em caso de corrupção e o confisco de bens dos servidores com sinais exteriores de riqueza; amplia a ficha limpa para todos os cargos comissionados do serviço público federal; e cria um grupo de trabalho com membro dos três poderes e do Ministério Público para acelerar o andamento dos processos relacionados à improbidade.
Tardio – caso tivesse sido adotado no decorrer do chamado escândalo do Mensalão, por exemplo, poderíamos estar mais preparados para reprimir o Petrolão – e sob risco de emperrar na morosidade do Congresso, o conjunto proposto pelo Executivo é formado por projetos engavetados e que já fazem parte da vida jurídica de muitos países desenvolvidos. Não há, portanto, nada de extraordinário ou empolgante. Não é o marco de uma nova era. É necessário admitir, entretanto, que é um alento no embate contra a roubalheira, desde que os homens públicos, de fato, sintam-se na berlinda como nunca tiveram antes.
Como qualquer arma legislativa lançada pelo poder público, ela só será efetiva em caso de fiscalização e do reforço e correspondente respaldo em todo o aparato oficial de controle dos gastos públicos. Brasília não há de ser tão ingênua a ponto de achar que a sociedade vai se acomodar diante da novidade. O grito não será silenciado apenas com burocracia. O que os cidadãos esperam com ansiedade é uma postura mais íntegra dos governos. E que seus princípios – e não somente as leis – detenham a corrupção institucionalizada.

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