Quando nos deixamos levar pela preguiça, pela inércia, o comodismo, encarando como uma tarefa difícil, que podemos fazer ''outro dia'', atender aos apelos dos serviços de sa© úde e não verificamos nosso quintal buscando possíveis depósitos de água expostos, é porque não estamos sendo capazes de imaginar o transtorno, prejuízo e sofrimento que pode nos acometer (e à nossa família!) se adoecermos por dengue.
Dor de cabeça, dores no corpo, nas articulações, febre alta, prostração, falta de apetite, são sintomas que não assustam. Parece uma ''gripona'' e isso não nos causa muita preocupação.
Mas será que estamos tão cegos a ponto de esquecer os dados sobre a epidemia que assolou o Estado do Rio de Janeiro no ano passado? Milhares de doentes e mais de cem mortes. Estatísticas podem não sensibilizar, quando distantes. Mas, amanhã, nós podemos fazer parte delas e esta ''ameaça'' vem sendo anunciada...
Ontem as manchetes mostravam aquilo que tanto temíamos mas que deixamos acontecer: ''Primeiro caso de dengue hemorrágica no Estado do Paraná, no município de Londrina''.
Uma das teorias mais aceitas para explicar o porquê da pessoa desenvolver um quadro hemorrágico da dengue afirma que esta pessoa tenha tido dengue ''clássica'' anteriormente, ficando com seu sistema imunológico predisposto para essa resposta extrema. E aqui vem a reflexão que pretendo deixar nestas linhas: Quantos de nós, às vezes, pegamos ''uma gripe'', nos automedicamos e nem procuramos um serviço de saúde para confirmar nossa suspeita? Será que eu, como você, leitor, já não faço parte do grupo de pessoas susceptíveis de adquirir dengue hemorrágica? Basta ler as manchetes de ontem com atenção: ''O paciente não havia tido a doença anteriormente''.
Contra a dengue não há vacina. As previsões mais otimistas calculam um prazo de cinco anos para contarmos com essa conquista da ciência. O que fazer, então?
Sabemos que o mosquito da dengue depende de água parada para completar seu ciclo reprodutivo. E a preferência de alimento do Aedes aegypti é o sangue humano. Por isso ele procura água nas proximidades de onde irá se alimentar, isto é, na casa das pessoas, ou próximo a elas.
Daí tornar-se impossível para o poder público o controle da dengue sem a colaboração efetiva e permanente da comunidade. Mais de 90% dos criadouros estão nos domicílios. Por isso, pensando em nossa saúde, a dos nossos filhos, devemos começar uma corrente de ação e conscientização para vencer esta batalha, antes que seja tarde.
Faça sua parte: vigie o ambiente da sua casa e arredores, eliminando todos os possíveis criadouros para o mosquito e conscientize alguém, a cada dia. Acabar com a dengue depende da consciência e trabalho individual e constante de todos. Esta história está sendo escrita também por você.
DIANA MARILIA ARENAS é coordenadora do Programa Nacional de Controle da Dengue da 9 Regional de Saúde de Foz do Iguaçu.

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