Há 10 meses, quando foi deflagrada em um posto de gasolina, a Operação Lava Jato (aí está a inspiração para o seu nome) pode se transformar em importante agente de prevenção de crimes de lavagem de dinheiro no País. Iniciada em março de 2014, ela já conta com sete fases e investiga um grande esquema de desvio de recursos que envolve a Petrobras, empreiteiras e políticos. Conforme aponta a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), o trabalho de investigação avançou significativamente, mas a população não deve se surpreender porque a Polícia Federal e os procuradores da República já começam a desvendar outros tentáculos ocultos dentro da Petrobras e verificaram uma extensa lista de operadores que, além dos quatro doleiros inicialmente investigados (Alberto Youssef, Carlos Habib Chater, Nelma Kodama e Raul Henrique Srour), também atuavam na engrenagem criminosa.
Na reportagem de hoje, a FOLHA mostra que identificando esses novos personagens, os procuradores esperam desestruturar muitos outros esquemas de lavagem dinheiro por meio de contratos de suposta prestação de serviços. Seria praticamente uma derivação da Lava Jato, porque a apuração inicialmente restrita às irregularidades encontradas na estatal petrolífera, será ampliada para outras obras públicas do País.
Em entrevista à FOLHA, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima lembra que como aconteceu no Caso Banestado, de 2002 a 2003, quando a Justiça Federal do Paraná conseguiu desestruturar o mercado de dólar paralelo no País, dessa vez deve cair diversos esquemas de lavagem de dinheiro promovidos por meio de contratos de prestação de serviços. Para quem não se lembra, a agência de Nova York do Banestado foi usada para receber remessas fraudulentas de dinheiro e o montante foi US$ 30 bilhões.
Voltando a 2015, a Lava Jato deve se desdobrar em outras investigações e a população realmente espera por isso, pois desmantelando as redes de lavagem de dinheiro e punindo os responsáveis será possível prevenir crimes futuros. Como disse o procurador Santos Lima: "Nada vai ser igual como era antes da Lava Jato".

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