Anos eleitorais
"(...) a cada 24 meses, 12 estão contaminados pelos vícios de um sistema político cada vez mais degradado"
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de maio de 2026
"(...) a cada 24 meses, 12 estão contaminados pelos vícios de um sistema político cada vez mais degradado"
Ludinei Picelli 
ANOS ELEITORAIS
Ano sim, ano não, temos eleição no Brasil, isto é, a cada dois anos um é dedicado quase que exclusivamente aos acordos para apoio político e coligações partidárias. Mesmo quando se trata de pleito em nível municipal, a atipicidade do ano eleitoral é característica; Brasília se esvazia e o show do folclore político tupiniquim se descortina nos municípios.
O custo financeiro desses ciclos eleitorais é absurdo; bilhões de reais são distribuídos em forma financiamento com verbas oficiais para as campanhas e para o fundo partidário. Sem muito poder de fiscalização, as cifras da "gastança" e do esbanjamento de dinheiro público fogem do controle dos tribunais. Nesse contexto de abusos e artimanhas, o vale tudo para conquistar o eleitor é desleal e manipulador. Exemplo disso, é o vergonhoso procedimento de só desengavetar projetos que já deveriam estar beneficiando a população, mas que somente são lembrados no ano eleitoral para transformá-los em votos.
Em meus quase oitenta anos de vida, não me lembro ter visto o Brasil passar por tantas imoralidades, aviltado por uma classe política/governamental corrupta em sua maioria. O nosso país está mergulhado numa corrupção desavergonhada, numa violência generalizada e em fraudes desmensuradas, tudo isso sob a indecorosa proteção oficializada da impunidade.
Nesta ocasião em que as campanhas para o próximo pleito estão se iniciando, os conchavos e o impudor ideológico já se manifestam de forma descarada; mais de uma centena de políticos mudaram de partido, com a frequência como "se troca de camisa", para não perderem os seus rendosos cargos no poder. Muitos que se digladiavam ferrenhamente até meses atrás, hoje se abraçam e trocam elogios efusivamente, em acertos antiéticos, cínicos e imorais.
Na esteira desses acordos espúrios, já sepultaram a CPMI do INSS, deixando rastros de impunidade, mascararam as emendas secretas com nova roupagem, driblando a sua inconstitucionalidade, mas elas continuam ativas, com baixa transparência, sem rastreabilidade e ainda beneficiando aliados políticos tendo seus nomes ocultados. Também, "esticaram a corda" na briga pelos penduricalhos, cujo teto salarial de R$ 46.366,19 pode chegar em torno de R$ 78 mil; tudo legal e oficializado, sem nenhuma contestação dos representantes do povo. Ainda nesse sentido, fomos obrigados a ouvir de uma desembargadora que, limitando o pagamento dos penduricalhos, a magistratura passaria a ser um "regime de escravidão. Seria risível, se não fosse trágico! Somando se a isso, o momento político atual é de descalabro e falência moral; a investigação do maior escândalo financeiro e fraude bancária da história do Brasil mostra o grave envolvimento de autoridades constituídas do alto escalão da República, numa profunda teia de corrupção.
Enquanto essa farra com o dinheiro público acontece, estatísticas mostram que metade da população brasileira está demasiadamente endividada, cerca de 83 milhões das pessoas adultas estão inadimplentes. Como paliativo, o governo criou um programa extremamente eleitoreiro para aliviar a pressão e de olho nas urnas. O Desenrola Brasil dá um suporte a curto prazo, mas não resolve o problema do superendividamento.
Assim a cada 24 meses, 12 estão contaminados pelos vícios de um sistema político cada vez mais degradado, deturpado e desmoralizado. É preciso pensar em eleições unificadas e mandatos do Executivo de 5 anos, sem reeleição. Neste 2026, pelas perspectivas e previsões, vamos ter que continuar votando no menos pior para não eleger o pior. Que sina!
A esperança é que o cenário mude e que as predições falhem, indicando um novo caminho para sairmos dessa polarização abjeta e desse marasmo político devastador, principalmente nas eleições para o cargo mor da República. Que as urnas nos surpreendam positivamente!
Ludinei Picelli - administrador de empresas
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