Ano político, soluções ''milagrosas'' - Adalberto Pereira
Ano político, soluções milagrosas
Adalberto Pereira
Quero deixar claro que a minha posição neste artigo não tem qualquer característica de crítica à imagem do ex-Deputado e atual secretário de segurança pública José Tavares, profissional e político digno de respeito de todos os paranaenses.
A minha manifestação é dirigida ao governador Jaime Lerner e a sua equipe altamente técnica que, de maneira acintosa, colocou-se na defesa do ex-secretário Cândido Martins de Oliveira. Lerner esqueceu-se que é o gestor do nosso Estado, eleito pela maioria dos votos dos cidadãos paranaenses, os quais esperavam algo mais que comprometimento de longos anos de governo, em defesa de um indivíduo cuja postura está muito aquém do desejado para um homem designado para gerenciar a Segurança Pública do Paraná.
Provas da sua incompetência, o senhor Cândido deu inúmeras vezes, abandonando completamente a Segurança Pública do Paraná, especialmente a de Londrina, muito embora os apelos tenham sido muitos. Quando dava os ares da sua graça em nossa cidade, era para proferir discursos inflamados e governistas.
Quando finalmente o governador viu esgotadas todas as oportunidades de limpar a honra do seu protegido, resolveu promover o que chama de intervenção na Polícia Civil, nomeando um delegado de carreira para a função de Secretário de Segurança. Será que isto não foi um prêmio para a Polícia Civil?
Repito que não é nenhuma crítica à conduta ou postura do cidadão José Tavares ou aos bons integrantes da Polícia Civil, mas sim à forma ditatorial como agiu o governador na substituição do seu protegido.
O que podemos constatar na verdade é que a intervenção alardeada pelo governador foi efetivamente na Polícia Militar, com a nomeação de um delegado para a função de Secretário de Segurança.
Por que não um Coronel da PM para comandar a Segurança Pública? Será que houve alguma denúncia na CPI do Narcotráfico contra policiais militares do Paraná? Oficiais da PM foram presos publicamente por determinação dos parlamentares?
As polícias civil e militar são dignas de mais respeito por parte dos governantes. Não bastam alguns indivíduos inescrupulosos infiltrados em seu meio e com propósitos escusos para que se afirme que toda a polícia do Paraná está desacreditada. Se a afirmativa fosse verdadeira, não só nas polícias militar e civil haveria necessidade de intervenção, mas em muitos outros órgãos do governo.
Na verdade o que vem ocorrendo na história do nosso país é que quando os governantes estão na exaustão de suas administrações, desejando recuperar um pouco do muito da credibilidade perdida por incompetência administrativa, interferem nas polícias e tudo bem!
Está na hora da população do nosso Estado abrir os olhos para esses ímpetos de seriedade administrativa, tão apregoado e aplicado até por governos anteriores.
Mas enquanto o governador saneia a polícia civil, nomeando um delegado para dirigir a Segurança Pública, prometendo 500 viaturas, 400 motocicletas (leia-se Jog), a contratação de 900 dos mais de 1.200 aprovados em concurso há quase 3 anos para a Polícia Civil, ninguém disse quais policiais vão conduzir essa imensa frota de viaturas, pois a Polícia Civil está deficiente em mais de 3 mil homens e a PM praticamente no mesmo número.
Talvez a melhor solução no momento seria o governador assinar as promoções dos oficiais e dos formandos no Curso de Oficiais Administrativos, que estão comparecendo para trabalhar em uniforme de educação física por não poderem colocar uniformes de oficiais. Resolver também a situação dos praças, que foram promovidos, mas continuam recebendo conforme a sua graduação anterior e ainda pagar o 1/3 de férias de todos os PMs.
Mas nada disso acontece, porque o Sr. Giovani Gionédis, o verdadeiro Golbery do governo, junto com o seu CRAFE, não encaminha ou autoriza as promoções para a assinatura do governador sob o argumento de não gerar mais despesas ao já combalido Estado, sobrecarregando ainda mais os cofres públicos com a folha de pagamento.
Contratar policiais é uma necessidade, principalmente os devidamente concursados, aprovados e ludibriados.
O tempo passa e a história se repete: ano político, soluções milagrosas, mesmo que mentirosas. Maquiavel, se ainda estivesse vivo, certamente passaria uma longa temporada no Estado do Paraná, reescrevendo o seu best seller.
Na fábula do Pinóquio, quando o boneco contava mentiras o seu nariz crescia. Cuidado para que a estória não se repita.
ADALBERTO PEREIRA é major PM da reserva e vereador em Londrina





