ANO NOVO, VIDA NOVA - Fim de ano é momento de alegria e reflexão
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de dezembro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Basta observar à volta para perceber que no final do ano tudo parece ficar diferente. As pessoas ficam mais agitadas, os dias parecem passar mais rápido e a impressão que se tem é de que não há tempo para fazer mais nada. Enquanto uns correm para enfeitar a casa e receber a família, outros ficam melancólicos e não é difícil encontrar aqueles que não gostam nem um pouco do Natal.
Segundo a psicóloga Margareth Alves, de Londrina, o final do ano realmente mexe com as pessoas, que veem o dia 31 de dezembro como o fechamento de um ciclo. Também é nesta época que conflitos familiares veem à tona e as pessoas sentem com mais intensidade a falta de amigos ou parentes.
''Como as pessoas estão muito sensíveis e a emoção está à flor da pele, eu entendo que é uma oportunidade de crescimento. Quanto mais eu olho para mim, o autoconhecimento acontece e mais chances eu tenho de poder atender aquilo que eu quero. Não fique tanto focado no negativo, no que faltou durante o ano todo, olhe para aquilo que conquistou'', recomenda.
As pessoas ficam realmente diferentes no final do ano?
Para a maioria das pessoas é um momento de alegria e celebração, mas existe uma grande parte da população que se sente mais sozinha, é um momento de reflexão, melancolia. A gente tem que entender que é um rito de passagem, é o fechamento de um ciclo e a abertura de um novo. As pessoas que tiveram a possibilidade de atingir as suas marcas, de conquistar seus objetivos, estão chegando nessa fase, embora cansadas, motivadas. Elas estão felizes com o que conseguiram. Por outro lado, algumas dizem: ''eu não consegui nem metade, não cheguei lá, passei por mil problemas e não consegui ser resiliente e dar a volta por cima''. Essas pessoas acabam se sentindo muito mais desanimadas. Algumas também se sentem mais depressivas.
Também percebemos um índice maior de enxaqueca pelo estresse, pelo excesso de preocupação. A pessoa não desliga, ela fica em estado de alerta e isso traz para o nosso organismo um custo muito grande. Ela não vai perceber, mas daqui a pouco vai ter bruxismo, dor de estômago, dores na coluna, dores musculares. Na reta final a sensação é de que as pessoas estão exauridas e os sintomas que não apareceram durante o ano aparecem agora. É uma questão cutural, a gente se condicionou a entender que no dia 31 acaba algo, como um marco e no dia 1º começa algo novo.
Pessoas com problemas familiares ou sozinhas sofrem mais?
Sim. A gente olha e pensa em reunião de família, que representa união, alegria, possibilidade de estar mais próximo de pessoas que você não tem tanta convivência. Mas existe o reverso da moeda, pessoas que já se foram. Existe a angústia de encontrar com pessoas que embora sejam da mesma família você tem dificuldades de relacionamento. As festas impõem essa convivência e algumas pessoas sofrem muito com isso. É um momento de enfrentamento.
É possível as pessoas enfrentarem as festas de final do ano com equilíbrio?
O importante é ter consciência de que não é só você a única pessoa passando por isso, às vezes faz bastante diferença. As pessoas devem ter respeito por elas mesmas. Algumas querem estar com alguém, mas não têm família. O que você quer fazer? Não fique preso a convenções. Se não tem alguém, procure a família de um amigo, de alguém bem próximo. Por outro lado há aqueles que querem ficar reclusos. Respeite isso. Estou sempre dizendo para as pessoas olharem para si mesmas. Como as pessoas estão muito sensíveis e a emoção está à flor da pele, eu entendo que é uma oportunidade de crescimento. Quanto mais eu olho para mim, o autoconhecimento acontece e mais chances eu tenho de poder atender aquilo que eu quero. Não fique tanto focado no negativo, no que faltou durante o ano todo, olhe para aquilo que conquistou. Muitas pessoas focam no negativo, evite fazer isso. Lógico que você vai olhar, até para poder redefinir metas em 2013, mas não fique preso obsessivamente nisso. Use o senso de humor, por pior que esteja, nunca está tão caótico que não tenha uma graça para fazer sobre si mesmo. Não exagere na alimentação nem no consumo de álcool, continue com as atividades físicas, faça algo que possa recuperar sua energia para conseguir chegar no final do ano.
As pessoas se frustram porque estabelecem muitas metas e não dão conta de cumprir?
Eu diria que são duas coisas. Muitas metas e metas inacessíveis. Se a pessoa tem um alto grau de exigência, ela acha que vai dar conta e depois se frustra. Uma melancia a gente não come inteira, então vamos fatiar a meta, vamos dividir o tempo para essa fatia, o nível de exigência diminui e você ganha uma margem muito maior para poder ter sucesso naquilo que quer.
As áreas de maior foco são o pessoal e o trabalho?
Eu estimulo dez: familiar, relação amorosa, intelectual, financeira, profissional, lazer, corporal, emocional, espiritual e ação voluntária. Quando se fala em metas, implica em quatro passos: o que eu quero, o que preciso fazer para chegar lá, como eu vou fazer isso e em quanto tempo? A gente coloca isso por escrito, porque assim o compromisso é maior.
Precisamos de tempo ao longo do ano para que essas fatias sejam atingidas. Não precisa de tão poucos objetivos, se eu falo de dez áreas, é bastante, mas se eu estabeleço tempo proporcional ao tamanho daquele objetivo, é possível. Eu vejo uma dificuldade maior quando a pessoa encontra obstáculos ao longo do processo, as pessoas precisam aprender, ao se frustrar, a não desanimar e não desistir. Recupere sua energia e toque para frente.
O que é uma meta inatingível?
Imagina alguém que entrou em uma empresa e se propõe a subir de cargo num tempo que seria curto. A empresa precisa conhecer o trabalho dessa pessoa, precisa confiar nela, precisa ver que tipo de competência ela tem. Eu vejo as pessoas com pouca paciência. Cada vez mais jovens estão querendo ter casa própria, carro do ano, viagens para o exterior, e isso demanda uma energia muito grande. As pessoas deixam de lado o casamento, os filhos, um relacionamento amoroso, os amigos, para focar principalmente no profissional. Se eu consigo manter o equilíbrio em uma fatia, naturalmente as outras também vão ser cuidadas. Se eu invisto muita energia em uma, eu sei que uma outra naturalmente vai me trazer problemas.
Como administrar metas que dependem de outras pessoas, como casar ou ter um filho?
Existem algumas metas que precisam do aval do outro. Saber esperar, ou adiantar algum projeto, ver o que é possível dentro de uma negociação. Quando vou definindo metas, percebo que essa talvez seja a única que as pessoas ficam de mãos atadas. Eu costumo estimular as pessoas a sair de casa, encontrar os amigos. Ir para a balada geralmente não funciona, porque as pessoas não estão necessariamente procurando alguém. Eu encontro pessoas cada vez mais sozinhas e frustradas nesse aspecto. Se ela vê o lado positivo das coisas, a autoestima dela aumenta e as chances de atrair uma pessoa são maiores também. Se a pessoa fica obscessivamente se queixando, isso acaba fazendo com que a pessoa fique triste, mal-humorada e isso afasta as pessoas dela.


