O pedágio não acabou, nem abaixou. Pelo contrário, no início do mês, mais uma vez foi reajustado - em até 11%. O governo do Estado diz que não desiste e que vai elaborar, em 2008, novo estudo para obrigar a revisão dos contratos, com base nas concessões de rodovias federais feitas esse ano pela União. Em entrevista à FOLHA, o secretário dos Transportes e diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Rogério Tizzot, lembrou que os novos pedágios são oito vezes mais baratos que os operados pelas concessionárias paranaenses.

Como o governo pretende rever as tarifas - após tantas derrotas?
Em relação à repactuação dos contratos, a grande mudança de paradigma aconteceu com o leilão federal que nos trouxe uma tarifa muito menor do que a praticada hoje pelas concessionárias do Paraná. Em função dessa mudança, tivemos um apoio muito maior da sociedade, da Assembléia Legislativa e da própria imprensa em relação àquilo que vínhamos dizendo desde 2003, a tarifa do pedágio é muito alta.

A concessão federal é mais barata em quanto?
Oito vezes menor. Em função disso, queremos fazer um novo estudo a partir de 2008, em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e também com base nas recomendações do TCU para rever os contratos e tentar trazer para uma realidade próxima à dos contratos novos. Então, acho que 2008 vai ser importante e é imprescindível que haja essa participação da imprensa, formando a opinião pública em relação à necessidade de reduzir a tarifa.

Está em jogo a exclusão de obras previstas no contrato atual para obter a redução das tarifas?
Poderia abranger um eventual rearranjo de algumas obras, mas na verdade só teremos uma visão mais exata na medida em que se desenvolver um estudo. Eu digo que, a princípio, não existe a intenção de se retirar obras, mas eventualmente alguma obra poderia ser alterada porque esses planos foram feitos em 1997 e a situação das estradas mudou de lá para cá. Portanto, alguma região poderia exigir a construção de um viaduto novo e onde não houve aumento de tráfego poderia se manter sem o viaduto previsto. São coisas desse tipo que podem ser alteradas.

A deputados estaduais, o senhor disse que a região norte poderia perder obras de viaduto e duplicação de vias...
Prefiro que a gente evolua mais no estudo porque nesse momento citar alguma obra ou trecho pode eventualmente causar uma expectativa falsa que depois não vai acontecer.

Há argumento novo para sensibilizar as empresas - já que os contratos e o judiciário parecem estar ao lado delas?
Sim, a questão da taxa interna de retorno. Os contratos atuais, de 24 anos, concede taxa de retorno de 20% para as concessionárias, e a taxa que se colocou no edital federal foi de 8,95%. Então, na medida em que a taxa interna de retorno é menor, a tendência é que a tarifa também seja menor.

E os chamados caminhos da liberdade, a quantas andam?
A região norte está privilegiada pela nossa programação. Já temos uma alternativa que, em parte está pronta, para quem vai de Paranavaí até Londrina. Já recuperamos parte da estrada e estamos iniciando um contrato para mais investimentos dessa rodovia. Com essa estrada, que estará pronta em 2008, evitam-se três praças de pedágio. O trecho que liga o norte ao oeste, pela PR-323, também está sendo trabalhado e já é uma alternativa ao pedágio.

E entre a região norte e Curitiba?
A estrada do Cerne já está sendo pavimentada pelo exército. Quando ela ficar pronta, até o final deste mandato, em 2010, o usuário deixará de pagar quatro pedágios - hoje são cinco -, o que eu acho um ganho importante. Essa estrada é mais complexa porque falta pavimentar um trecho de 100 km.

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