Ano bom dependendo de cada um
Fazer 2006 um ano bom dependerá de cada indivíduo, e no conjunto dependerá da humanidade. Este fato óbvio, porém, não é muito claro para a maioria, que atribui aos governos a culpa pelo que não dá certo em sua vida empresarial e profissional. O poder público tem grande cota de participação nas dificuldades humanas, porque suga os contribuintes em forma de pesados impostos e gasta muito deste dinheiro em desperdício e no inchaço da máquina governamental caso do Brasil e pouco em obras que beneficiem a população. Para não falar da corrupção. Mas se o povo se colocar vigorosamente à frente das reivindicações e lutar contra o arbítrio e a tirania, mudará o rumo das coisas. Porque nada tem mais poder que o brado e a ação das massas cheias de razão. As grandes conquistas da humanidade aconteceram por essa via e não pela benevolência de governantes, embora a história também registre a presença de valorosos homens públicos que mudaram a rota dos acontecimentos, porque lutaram justamente ao lado do povo, contra resistências do próprio círculo político e de grupos de interesses. O ano próspero e melhor, que todos almejam, só ocorrerá pela participação dos cidadãos nas grandes e também nas pequenas causas. Reagir ante o arbítrio e fazer valer os direitos. Só desta forma se construirá uma nação grande, com homens responsáveis. Os abusos não residem apenas nos governos mas no próprio meio da sociedade civil. A pronta reação de cada pessoa diante de um ato que fira seus direitos irá endireitando as coisas tortas. Equivocam-se os que pensam que os governantes não temem o povo. O que ocorre é que eles se acostumaram à não-reação da população e por isso a desrespeita, como o cão manso do qual ninguém tem medo. Um exemplo publicado ontem neste Jornal mostra a reação do povo ao pedágio, num ponto da rodovia que liga Curitiba ao litoral. Um trecho alternativo que desviava o tráfego da praça do pédágio havia sido bloqueado, mas os moradores da vizinhança que necessitam desse acesso para se dirigirem às suas propriedades destruíram a barreira. A força decidida do povo, posta em ação, converte-se em lei, e contra ela nada se antepõe. A reação de cada cidadão, individualmente, diante de circunstância que lhe usurpe o direito, e a organização coletiva contra causas maiores, assumirão decisões de governo o que se traduz pelo exercício do poder da cidadania, que lhe é inerente e inalienável. São as ações das multidões que promovem mudanças de leis e sistemas, às quais também a Justiça tem de se vergar, porque não é tirana mas consonante com o anseio que emana da sociedade e por ela é arbitrado. Este é um dos caminhos de se fazer os anos bons.





