Aniversário de uma grande tragédia
Uma grande vigília marcou o amanhecer de ontem no município gaúcho de Santa Maria. Há dois anos, no dia 27 de janeiro de 2013, um incêndio na boate Kiss causou a morte de 242 pessoas, a maioria jovens que participava de uma festa universitária. O aniversário da tragédia ainda foi marcado por várias homenagens realizadas por parentes e amigos das vítimas. A dor da perda ganhou companhia: a revolta pela demora na punição dos culpados. O processo ainda corre na Justiça e até agora ninguém foi condenado pelo crime.
Quatro réus são acusados de homicídio: dois sócios da boate e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira. Eles foram presos, mas esperam o julgamento em liberdade. Durante o show, a banda usou um sinalizador para efeitos pirotécnicos. Rapidamente, o fogo ganhou o teto da casa noturna e se espalhou. Asfixia foi a principal causa das mortes, segundo laudos do Polícia Científica de Santa Maria.
Além dos quatro réus acusados de homicídio, 49 pessoas também respondem por crimes cometidos antes da tragédia, entre eles nove bombeiros. Há suspeita que autorizações para que a boate funcionasse tenham sido fraudadas. Outro agravante foi a falta de estrutura dos bombeiros para atendimento do incêndio. Na época, o responsável pelo Corpo de Bombeiros afirmou que disponha apenas de 10 homens, sendo somente cinco com experiência. Por conta disso, muitos voluntários arriscaram a vida entrando e saindo da boate para ajudar no salvamento.
Na Justiça, cerca de 200 pessoas já foram ouvidas. Mas como é comum no Brasil, o processo é lento e o julgamento não foi marcado. Com medo de que os responsáveis nunca sejam punidos, uma associação formada por familiares de vítimas da Kiss vai enviar carta ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda, pedindo que a entidade acompanhe o processo.
A tragédia motivou uma mudança no Legislativo do Rio Grande do Sul, com a aprovação de um projeto que ficou conhecido como a Lei Kiss, estabelecendo normas mais rígidas de segurança, prevenção e proteção contra incêndios. Porém, em nível nacional, pouca coisa mudou. Logo depois da tragédia, projetos de lei foram apresentados no Congresso, afinal, a população cobrava uma resposta dos deputados e senadores. Mas até agora eles continuam engavetados.





