Animais e problemas de saúde pública
Febre aftosa na pecuária, gripe aviária, febre maculosa originada de carrapatos de animais domésticos e silvestres, gatos espalhando doença rara, pombos transmitindo males e, agora, também gaviões tirando o sossego de pessoas. Daquelas moléstias, só a aftosa não é transmissível aos humanos. Estes são sérios problemas, que envolvem delicada questão de saúde pública e a política de preservação ambiental. Todos esses bichos, alguns compondo o sustentáculo da economia, convertem-se também em preocupação de criadores e governantes e da população em geral. A febre aftosa já acena com bilhões em prejuízos, no Brasil, e a gripe do frango que, ao que se sabe, ainda não chegou às terras brasileiras já mobilizou o presidente dos Estados Unidos a solicitar autorização para uso de 7,1 bilhões de dólares na prevenção e tratamento da doença da população e das aves. Nunca, em décadas recentes, doenças provocadas por via de animais causaram tanta preocupação mundial, trazendo em seu bojo graves ameaças de saúde humana e também prejuízos pela perda de animais e seus produtos e subprodutos. A inquietação envolve dois temores: o da contaminação em massa das pessoas especificamente no caso da gripe aviária e a perda de mercados da carne de bovinos, suínos, caprinos, ovinos e aves, assim como do leite e seus derivados. Ao tempo em que essas ocorrências reclamam mobilização urgente e a aplicação de elevadas somas de dinheiro para prevenção e medicação, questões como as dos pombos, dos gatos e dos gaviões, esbarram na cruzada pela preservação das espécies animais. Os gatos surpreenderam a região serrana do Rio de Janeiro com a esporotricose felina, uma doença rara e que se acreditava extinta. Ela atinge os animais e também o homem, já havendo o registro de 800 casos de humanos infectados, nos últimos cinco anos, prevendo-se á com base na evolução da doença de 1990 para cá que outros 200 ocorram até o final deste ano. No caso dos gatos doentes, curá-los ou eliminá-los, eis a questão. Assim como os pombos, que em Londrina especialmente, para citar um caso próximo já se transformaram em praga, no dizer da população urbana que se sente prejudicada. áNão faltam sugestões de aplicar anticoncepcionais nessas aves e mesmo sacrificá-las. O pó das fezes dos pombos, inalado pelas pessoas, pode causar-lhes meningite, doenças respiratórias e salmonelose, que é lesão infecciosa aguda do aparelho disgestivo. Símbolos da paz, essas belas e delicadas aves converteram-se numa peste, e não só em cidades brasileiras mas em outras partes do mundo. De sua vez, também as pombinhas passaram a disseminar-se intensamente nas cidades, e suas fezes, assim como o mau cheiro, são igualmente nocivos à saúde humana. Nos últimos dias a febre maculosa matou uma sanitarista e um jornalista cariocas, havendo uma terceira pessoa em estado grave. Transmitida pelo carrapato-estrela, é muito comum em bois e cavalos, daí podendo alojar-se no homem. E para robustecer a sinistra estatística (hilariante neste caso), em Londrina um casal de gaviões está tirando o sossego dos moradores da vizinhança de seu ninho, porque, ao defender os filhotes, essas aves de rapina estão atacando pessoas. Desmatamentos, ausência de políticas públicas consistentes de controle e extinção desses males, e também o descompasso entre o avanço numérico dos rebanhos e os cuidados pertinentes enfim, a imprevidência humana chegaram ao ponto de saturação, com as consequências que aí estão.





