Quando as pessoas pararem de considerar os animais como "brinquedinhos" que elas podem comprar, trocar roupinha, modelar o pelo, pintar, fazer invejinha para os "amigos" e tantas outras coisas inadequadas e voltarem a vê-los como eles realmente são, cães, gatos, coelhos, aves, etc..., podem ter certeza que o problema do abandono acaba. Porque "brinquedos" a gente deseja, brinca e um dia cansa, quer algo mais atual, mais novo, mais "na moda". Aquele já não combina mais com a minha casa nova, a minha vida nova. Aí, larga para lá o brinquedo que não interessa mais. Nesse momento acontece o abandono. Desde criança tive cão e gato em casa. Nenhum comprado, todos ganhos ou achados. Nenhum de raça. Todos tratados pelo que eram: animais. Todos morreram em casa, de velhice, exceto um gato namorador que foi atropelado e minha cadela Pantera, que um malvado envenenou. Sei que existe um setor da indústria e do comércio que lucra horrores com tudo que eu listei como inadequado e que vai ficar furioso com o que escrevi. Sinto muito. Nem sempre todos ganham.

Nina Cardoso (psicóloga) - Londrina

O anjo da história

Aparentemente, o atual presidente da OAB nacional acabou de criar escola, ao classificar os brasileiros como pessoas com “desvio de caráter.” Nessa esteira, um historiador (Opinião do Leitor, 16/12/2019) nos taxa, eleitores do atual presidente da república, como “consumistas, mesquinhos e ignorantes”, enquanto eleva a pirralha Greta ao nível de anjo, que nada acrescentou de novo aos alertas sobre o aquecimento nem ofereceu propostas salvadoras. Menciona, sem citar quais, que países evoluídos utilizam apenas energia limpa, esquecendo-se de que o grupo do G20, por exemplo, investe quatro vezes mais em combustíveis fósseis ainda. Ao atribuir a ignorância do brasileiro à péssima educação que elege corruptos e aproveitadores, apega-se ao passado e deixa de antever os progressos que estão em andamento e a mudança de mentalidade do eleitor, ignorando ou negando, como historiador, a natureza dinâmica da História. Torna-se, assim, discípulo do supérfluo, adepto do modismo e apologista do ignorado: uma espécie em extinção.

Lourivaldo Perez Baçan (escritor)

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