Aneurisma cerebral tem novo tratamento
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sábado, 02 de novembro de 2002
Lilian Primi<br> Especial para a Agência Estado 
Um grupo de neuroradiologistas brasileiros anunciou na primeira semana deste mês, em São Paulo, a liberação do uso do Onyx no tratamento intervencionista de aneurismas cerebrais. Trata-se de uma substância líquida, uma espécie de polímero, que se solidifica em dois minutos e está sendo usada para preencher as pequenas bolsas que se formam nas artérias cerebrais.
Os tratamentos endovasculares ou intervencionistas são aqueles em que o médico usa um catéter para alcançar e tratar a área doente. Para aneurismas cerebrais, estes procedimentos começaram há 10 anos e usam principalmente pequenas espirais para preencher a bolsa. Ronie Leo Piske, do Hospital Beneficência Portuguesa e um dos três médicos brasileiros treinados neste tratamento, conta que o Onyx tem grandes vantagens sobre as espirais e pode atender pacientes que não suportariam a craniotemia (cirurgia aberta). ''Os riscos são bem menores'', diz.
O grupo inclui ainda os doutores Michel Frudit, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e José Maria Modonesi Freitas, do Hospital Santa Rita (ES). Os três passaram por um treinamento no Hôpital Foundation Adolph de Rothschild de Paris, na França, e realizaram seis cirurgias sob a supervisão do professor Jaques Moret e sua equipe.
A nova técnica é considerada a mais avançada da área. Na Europa foi usada em mais de 250 pacientes, com sucesso segundo os médicos. ''Embora o Onyx não substitua a cirurgia aberta em todos os casos, tem a vantagem de poder curar pacientes que não suportariam a craniotomia'', explica Freitas. O procedimento endovascular demora de duas a três horas e usa anestesia geral para imobilização. Normalmente em dois dias o paciente recebe alta. Com a craniotomia, além de a cirurgia durar de sete a oito horas, em média, é necessária anestesia profunda e hospitalização por um prazo de sete a dez dias.


