Como é do conhecimento geral, estamos em 1999. E a eleição presidencial só deverá ocorrer - salvo algum cataclismo institucional - no ano 2002. Muita água ainda vai passar debaixo da ponte eleitoral. Mas os partidos vão procurando tomar posição porque a crise econômica é grave e o governo Fernando Henrique tem adiado decisões importantes. Há espaço para manifestar desejos e propor soluções.
O Partido da Frente Liberal é agremiação de profissionais. O grupo é unido, tem objetivos claros e não abre mão de ser governo ou estar no governo. Tem sido assim desde a sua fundação, decorrente de dissidência do extinto PDS com o objetivo de apoiar Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. O partido apoiou e venceu. Desde então, tem sido o poder.
Há pouco, o senador Antonio Carlos Magalhães foi aclamado como principal nome do PFL. Seria, se a eleição fosse hoje, o candidato natural. É a grande estrela do partido. E um presidente do Senado com enorme prestígio dentro e fora da casa. Mas no PFL há outros postulantes, discretos, embora. O governador Jaime Lerner, do Paraná, sonha com a perspectiva. Ele tem sólida base no seu Estado. Tem realizado boa administração. Sonhar não é proibido. O vice-presidente Marco Maciel também tem, no fundo, suas aspirações.
O PSDB deverá indicar Mário Covas como seu candidato preferencial. O governador de São Paulo ganhou uma reeleição dificílima, bateu Maluf e a candidata do Partido dos Trabalhadores, Marta Suplicy. Credenciou-se como nome nacional. O presidente Fernando Henrique até hoje nada falou sobre concorrer mais uma vez. Também silencia diante da perspectiva de adoção do parlamentarismo, situação em que ele poderia ser presidente em novo regime de governo. São as aparentes possibilidades do PSDB.
O Partido dos Trabalhadores tem seu eterno candidato, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele costuma disparar nas pesquisas de opinião quando não há eleição. No momento do pleito, seus índices desabam. O fenômeno já aconteceu três vezes contra os Fernando. Uma vez contra Collor e duas contra Cardoso. Algo está errado na sua estratégia. Mas uma estrela sobe dentro do PT. É Cristóvam Buarque, que fez um governo elogiado em Brasília e perdeu a reeleição por margem mínima. Ele anda viajando o mundo e fazendo conferências em todos os locais possíveis no Distrito Federal. Está em campanha.
O PMDB, que continua a ser um partido forte e atuante, tem, até agora, um candidato mais ou menos declarado. É Itamar Franco, governador de Minas Gerais. O suposto isolamento político não o incomoda. Itamar sempre trabalhou assim. Promove brigas barulhentas com parceiros e adversários e faz acordo na undécima hora. É seu estilo. Foi assim com Tancredo Neves, com Collor e com Fernando Henrique. Tem dado certo.
É impossível dizer hoje quem serão os candidatos de amanhã. Mas, lentamente, o expresso em direção a 2002 começa a circular. A situação promove constrangimentos cada vez maiores ao governo, libera os parlamentares para brilharem nas comissões parlamentares de inquérito e paralisa o Congresso. As duas CPIs, do Judiciário e do Sistema Financeiro, já constituem atestado de que os políticos estão com os olhos voltados para o futuro do futuro.
- ANDRÉ STUMPF é jornalista em Brasília

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