Analfabetismo x desenvolvimento
Apesar dos avanços na economia, as melhorias não chegaram a todos os setores. Matéria de ontem desta FOLHA mostra que o Brasil ainda amarga índices alarmantes na educação. A taxa de analfabetismo entre pessoas com mais de 15 anos caiu apenas 1,8 ponto percentual entre 2004 e 2009, segundo dados do censo realizado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O levantamento ainda apontou que 9,6% dos brasileiros com mais de 15 anos ainda são analfabetos. Deste total, 92,6% tinham mais de 25 anos, o que no período representava 12% do total da população nesta faixa etária. Entre as pessoas de 50 anos ou mais de idade, a taxa de analfabetismo era de 21%.
Em Londrina, 18.106 não sabem ler nem escrever, o que equivale a 3,6% dos habitantes. O Paraná detém o sexto menor índice de analfabetismo do País, com 506.178 pessoas. No entanto, o mais preocupante é a taxa de analfabetismo funcional (percentual de pessoas com mais de 15 anos com menos de 4 anos de estudo) em 20,3%. O índice é 4,1 pontos percentuais menor que o de 2004 e 0,7 ponto percentual menor que o de 2008.
Esses dados mostram uma terrível realidade. Pior do que ignorar letras e números, talvez seja não compreender o significado de frases e textos. Analfabetismo funcional significa que as pessoas não entendem o que leem, não conseguem interpretar um texto corretamente. Desta forma, se tornam presas fáceis de inescrupulosos, que querem tirar vantagens financeiras e até eleitoreiras. Quanto menor o índice de alfabetização de uma população mais fácil a manipulação. Apesar de clichê, nunca é demais afirmar que a chave do desenvolvimento de uma nação está na educação.
Além de incentivar a frequência de crianças nas escolas - como já é feito por meio do Bolsa Família -, é preciso investir também na educação dos adultos. O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelecia como meta, até 2010, erradicar o analfabetismo. Realidade ainda bem distante de ser atingida, principalmente se observarmos os dados do Nordeste. Na região, o índice é de 18,7%, o maior percentual brasileiro. As informações levantadas pelo censo são incompatíveis com um país que está entre as maiores economias mundiais. A falta de escolarização certamente será mais um dos entraves ao desenvolvimento pleno do Brasil.





