O analfabetismo funcional, tema da reportagem especial publicada hoje, na FOLHA, mostra um drama que infelizmente faz parte da realidade das escolas brasileiras e que precisa mudar. O fato de jovens chegarem às universidades sem saber ler e escrever é uma prova mais do que importante de que há muitos profissionais da área da educação fechando os olhos para as reais necessidades dos nossos estudantes.
  A reportagem relatou a história de uma jovem de 26 anos que só descobriu que não sabia ler e escrever quando entrou na faculdade de Pedagogia. Foi quando os professores da universidade detectaram que, na verdade, o problema era causado por uma disfunção chamada dislexia.
  Por que os professores da jovem não conseguiram detectar que os problemas comportamentais da criança rebelde em sala de aula na verdade eram uma tentativa de encobrir a dificuldade com as letras? Como uma pessoa fica 11 anos na escola, passa por todas as etapas da educação básica e se forma no ensino médio sem capacidade para leitura e escrita?
  Esse não é só um problema da moça entrevistada pela FOLHA. Segundo dados de 2009 do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), 15% dos brasileiros entre 15 e 24 anos são analfabetos funcionais - pessoas que mesmo sabendo ler e escrever têm dificuldades para aprender textos curtos e localizar informações, inclusive as que estão explícitas.
  Uma pesquisa encomendada pela Câmara dos Deputados em 2008, disponível no documento ‘‘Os novos caminhos da alfabetização infantil’’, organizado por Fernando Capovilla, constatou que 80% dos alunos da oitava série, em escolas públicas, podem ser analfabetos funcionais. As causas do problema, de acordo com especialistas ouvidos pela FOLHA, passam pela utilização de metodologias inadequadas de alfabetização, falta de formação dos professores e condições sociais dos estudantes.
  Pais, professores e autoridades da área da Educação devem entender que o bom desempenho escolar não depende apenas da frequência do estudante às aulas. Os docentes devem estar preparados para avaliar a diversidade de habilidades de seus alunos e o motivo para a dificuldade de aprendizagem têm que ser buscado. Governo, escola e família precisam trabalhar juntos para a diminuição do índice de analfabetismo funcional no Brasil.

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