Luiz Carlos Hauly
O desafio lançado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para acabar com o analfabetismo no País, nos próximos dez anos, traz uma dura realidade para reflexão de nossas elites. A inclusão do debate na agenda política nacional é muito importante nestes momentos de reflexão sobre o alcance das mudanças sociais no Terceiro Milênio. Há pelo menos meio século estamos tentando erradicar o analfabetismo, chegando a despejar pelos escaninhos da burocracia governamental quase uma dezena de siglas de órgãos especificamente criados para a tarefa e campanhas com metas muito longe de serem cumpridas.
Ainda temos, segundo dados de dois anos atrás, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), 15.883.372 de brasileiros analfabetos, o equivalente a 14,7% da população. Sem considerarmos ainda os que precisam de auxílio, como os cidadãos e cidadãs que somente possuem um ano de estudo, ou aqueles analfabetos funcionais, que só escrevem o próprio nome, totalizando quase o mesmo número de excluídos do conhecimento usual.
Em termos internacionais, é claro que estamos muito atrasados, mas não podemos deixar de reconhecer que outros países definiram a tarefa de atacar o analfabetismo como uma estratégia de eficiência econômica e social.
Na Inglaterra, há dados comprovando que 15% dos alunos deixam as salas de aula sem aprender a ler e escrever, indicando, ainda, uma taxa muito grande de adultos analfabetos, superior aos Estados Unidos, Alemanha e França.
A intenção do governo inglês em reformar o ensino para melhorar os índices sociais é reforçada com a decisão de permitir o crédito para a compra de computadores e acesso a Internet para facilitar a inserção do trabalhador e dos carentes daquele país ao mundo globalizado e competitivo.
No Brasil, da oferta fácil de slogans, esperamos combater a pobreza, demagogicamente ampliando a tributação, quando devemos criar a cultura da eficiência gerencial nos recursos que dispomos, cerca de 4,6% do PIB ou R$ 69,2 bilhões, aplicando-os corretamente em programas com participação decidida do terceiro setor e da iniciativa privada.
Não há dúvida que nossa tarefa como dirigentes, administradores públicos e privados, é a definição do ataque ao analfabetismo como primeiro ponto de pauta de uma agenda de combate às desigualdades sociais acumuladas ao longo de nossa história. Como podemos deixar tanta gente excluída do simples ato de ler e escrever em sua língua pátria?
A diretriz é clara: erradicar o analfabetismo é tarefa primordial de todos nós.

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