O Ministério da Agricultura relata que, desde 1990 até o ano passado, a produção de grãos e fibras, no Brasil, teve o expressivo aumento de 125%, por conta da melhoria da produtividade. Se o aumento da área plantada, no mesmo período, foi de 24%, percebe-se o grande salto, que se deve à adoção decisiva da tecnologia agronômica, de equipamentos mais modernos, melhores sementes, melhor administração, menos desperdício nas colheitas e busca de mais informações sobre os mercados interno e externo. A agricultura profissionaliza-se e o produtor rural vai se convertendo, cada vez mais, em empresário, consciente de que seu negócio deve ser cientificamente gerenciado. Tudo isso em meio a entraves oficiais de toda ordem, que ainda conceituam o homem do campo como um empresário de segunda linha. Exportações de pelos menos seis produtos agrícolas soja, frango, açúcar, carne suína, milho e algodão tiveram o significativo aumento de 10% ao ano de 1990 para cá. Maior exportador mundial de soja, o Brasil é o segundo colocado em exportação de farelo de soja, óleo de soja e frango. A agricultura é, portanto, o grande agente do superávit da balança comercial brasileira, só perdendo para Estados Unidos e União Européia no volume das exportações agrícolas no geral. Este é o Brasil que dá certo, apesar das tantas dificuldades que o agronegócio enfrenta, como a insegurança pela invasão de terras, a burocracia para obter financiamentos, a dificuldade de escoamento de safras pela precariedade de rodovias, ferrovias e flexibilidade dos portos exportadores, legislação trabalhista inadequada para o campo e exigências infindáveis para o exercício de manter uma propriedade rural e produzir. A par do que ocorre com os produtos agrícolas, em boa parte ainda exportados in natura, as vistas do governo e do segmento industrial deveriam voltar-se também para a intensificação da exportação de bens manufaturados ou semimanufaturados, que não apenas a matéria-prima. A euforia que o Brasil vem experimentando, ante os excelentes resultados da política de venda externa e o fenômeno novo de obter elevados superávits, graças sobretudo às fontes da agropecuária, deve ser estimuladora para investimento em uma nova política que contemple avanços na tecnologia e intensifique a oferta, aos mercados do mundo, de mercadorias industrializadas. Deixaria o Brasil de ser um criador de empregos para as fábricas dos países importadores de matérias-primas brasileiras e se converteria no próprio produtor e grande vendedor externo de mercadorias beneficiadas, ampliando dessa forma seu parque industrial e proporcionando, aqui dentro, os empregos que faltam. Se tal ocorrer no mesmo volume do avanço verificado com as exportações do segmento agropecuário, o Brasil dará um salto de qualidade e iniciará uma arrancada de desenvolvimento como nunca antes ocorreu. O que, em passado recente, parecia utopia, já é realidade no que respeita ao avanço da produção e da produtividade do campo e o rendimento em moeda externa que o setor está proporcionando. O Brasil tem a idêntica competência para fazer o mesmo com a sua indústria.

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