Amizade no escritório vale mais que dinheiro para 90% dos trabalhadores
Dados revelam que as relações interpessoais deixaram de ser apenas complementares ao trabalho
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de setembro de 2025
Dados revelam que as relações interpessoais deixaram de ser apenas complementares ao trabalho
Andre Purri 
Escolher um emprego hoje vai muito além do salário. Pesquisas recentes mostram que 90% dos profissionais considerariam mudar de empresa para estar próximos de amigos no ambiente de trabalho, e 57% aceitariam até 10% menos de remuneração em troca dessa convivência. A presença de colegas de confiança não apenas impulsiona a produtividade, mas também é crucial para enfrentar desafios e momentos difíceis, segundo levantamento da KPMG. Os dados revelam que as relações interpessoais deixaram de ser apenas complementares ao trabalho e passaram a ser estratégicas para o desempenho e o bem-estar dos colaboradores.
O impacto das amizades aparece em diferentes dimensões. Cerca de 28% dos profissionais afirmam que amigos próximos ajudam a superar momentos de estresse, enquanto 26% destacam o papel desses vínculos no desenvolvimento de habilidades e na construção de conexões. A pesquisa também aponta que 25% atribuem às amizades aumento da resiliência e estímulo à inovação, e 30% relatam que esses relacionamentos funcionam como mentoria informal, oferecendo orientação e suporte para decisões de carreira. Além disso, 33% compartilham questões de saúde mental com amigos de trabalho, evidenciando a importância do vínculo emocional para o equilíbrio e a motivação.
A evolução da socialização corporativa também chama atenção. Enquanto em 2024 a maioria dos profissionais tinha apenas dois ou três amigos próximos no trabalho, em 2025, 98% relataram contar com quatro ou cinco colegas de confiança. O fenômeno é particularmente relevante para a Geração Z, que apresenta maior sensação de isolamento. Ambientes multigeracionais e inclusivos podem atenuar essa solidão, promovendo aprendizado compartilhado e fortalecendo a cultura organizacional. A socialização interna deixa de ser um luxo e se consolida como estratégia de engajamento, retenção de talentos e inovação.
Na prática, amizades no trabalho aumentam a eficiência e estimulam a criatividade. O compartilhamento de experiências e sentimentos permite enfrentar desafios de forma mais leve, facilita a resolução de problemas e incentiva a proposição de novas ideias. Essa rede de apoio também dá confiança para assumir riscos calculados, contribuindo para o desenvolvimento de projetos inovadores e elevando o desempenho coletivo. Em um mercado cada vez mais competitivo, essas relações se tornam ativos estratégicos, capazes de transformar equipes medianas em grupos de alta performance.
O resultado é claro: produtividade, engajamento e inovação não se sustentam apenas com incentivos financeiros. Relações de confiança, apoio mútuo e amizade entre colegas emergem como pilares fundamentais para enfrentar os desafios do trabalho contemporâneo, reduzir o turnover e construir culturas organizacionais resilientes. Como mostram os dados da KPMG, o capital humano vai além das habilidades técnicas ou da quantidade de horas trabalhadas: ele está na qualidade das conexões humanas, que pode determinar o sucesso de equipes e organizações.
Andre Purri, CEO e cofundador da Alymente


