Americanos protegem o seu etanol
Usinas e demais setores ligados à cadeia produtiva do etanol, que sonhavam exportar excedentes para os Estados Unidos, vão ter que esperar por algum tempo. Muito tempo, talvez. É que o governo norte-americano manterá os benefícios tributários aos produtores nacionais, uma política protecionista que é péssima para o Brasil, mas considerada normal nos Estados Unidos. Ninguém tem culpa se o Brasil tira a competitividade do seu produtor, penalizando-o com carga tributária. Nos EUA e na Europa é diferente. E a sociedade norte-americana aprova todo e qualquer pacote de incentivo. Afinal, alguém tem que produzir. Quem não vai para o campo, participa de outra forma. Pelo menos é o que acontece com os alimentos.
A prorrogação da tarifa de importação e do subsídio ao etanol nos Estados Unidos foi incluída no pacote de concessão de benefícios tributários, que deverá ser aprovado na segunda-feira pelo Congresso americano. Conforme a repórter Denise Chrispim Marin, a inclusão dessa medida, na prática, acaba com a expectativa da indústria da cana-de-açúcar brasileira de abertura do mercado americano ao nosso produto e ainda reforça os argumentos em favor do início de uma controvérsia na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a política dos Estados Unidos de proteção e subvenção ao etanol de milho.
A tarifa de US$ 0,54 por galão importado de etanol e a taxa adicional de US$ 0,45 por galão do produto mesclado à gasolina serão prorrogados até o fim de 2011, com altas chances de sucessivas extensões nos anos seguintes. A Unica visualizava uma brecha nesse período final do atual mandato legislativo. Sua expectativa era ver os parlamentares americanos concentrados nas iniciativas mais urgentes da pauta de recuperação econômica dos EUA e mais propensos a rejeitar medidas de expansão dos gastos públicos, como o subsídio ao etanol.
Nos últimos dias, o lobby do etanol americano, comandado no Congresso pelo senador Chuck Grassley, de Iowa, mostrou-se suficientemente atento para incluir os benefícios ao setor na sessão sobre Energia do projeto de lei. Não conseguiu, no entanto, estender essas vantagens por cinco anos, como pretendia. Embora a produção de etanol nos Estados Unidos, de 40,1 bilhões de litros em 2009, seja mais que o dobro da brasileira, o setor americano enfrenta uma espécie de barreira interna.





