Ancara As forças armadas turcas e americanas permanecerão ''pelo menos cinco anos'' no norte do Iraque no caso de uma operação militar internacional contra o regime iraquiano, informou ontem a imprensa turca. Os Estados Unidos solicitaram à Turquia a abertura de uma ''frente norte'' contra o Iraque, com o posicionamento de 80.000 soldados americanos em um quartel-general de Diyarbakir (sudeste da Turquia), segundo o jornal Milliyet.
Se a Turquia que ainda não revelou que decisão política adotará no caso de operação militar contra o Iraque aceitar o pedido, seu exército terá que entrar por 70 km em território iraquiano para controlar um eventual movimento de refugiados, afirma o jornal.
Para impedir a possível criação de um Estado curdo no Curdistão iraquiano, no caso de uma derrubada do governo do Iraque, o exército turco deverá permanecer o mesmo tempo que os americanos na região, acrescenta o jornal. A duração deve ser de ''pelo menos cinco anos'', segundo o Milliyet e outro jornal de grande circulação, o Hurriyet.
O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Iuri Fedotov, disse ontem que não existe nenhum elemento que prove que o Iraque representa uma ameaça terrorista. Entretanto, Washington continua acusando Bagdá de estar envolvido com a rede terrorista al-Qaeda do fundamentalista islâmico Osama bin Laden.
''Ninguém está em condições de apresentar o menor indício'' que prove que o Iraque representa uma ameaça terrorista, afirmou Fedotov, citado pela Itar Tass. Enquanto Washington e Londres denunciaram a declaração apresentada por Bagdá no dia 7 de dezembro à ONU sobre seus armamentos, a Rússia declara ser contra uma intervenção unilateral em Bagdá, sem o aval do Conselho de Segurança, onde Moscou dispõe de direito de veto na qualidade de membro permanente.
Bagdá aceitou os termos da resolução 1441 do Conselho de Segurança, que prevê ''consequências'' graves, isto quer dizer, a possibilidade de uma intervenção militar caso haja violação dos compromissos firmados com os inspetores.
Na terça-feira passada, o ministro russo da Defesa, Serguei Ivanov, classificou como ''inadmissível'' uma intervenção unilateral no Iraque e afirmou que o informe que os inspetores devem apresentar do desarmamento em janeiro no Conselho de Segurança permitirá tomar uma decisão a este respeito.

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