Lúcio Flávio Moura
Reportagem Local

O fênomeno é pouco divulgado por motivos de segurança. Mas, nos últimos meses, ele se intensificou, segundo os conselheiros tutelares. Londrinenses menores de idade que não conseguiram se beneficiar da chamada blindagem social, que não conseguiram ser um exemplo de sucesso nas políticas de inclusão social e na estrutura sócio-educativa montadas para enfrentar a pobreza e a violência, tiveram que escolher entre o exílio e o risco iminente de morrer.
  Longe da escola e sem opções atraentes de emprego, adolescentes da periferia decidem partir para o narcotráfico e para seus subprodutos – furtos, arrombamentos de casas, roubo em ônibus e homicídios – e acabam se tornando reféns da criminalidade. Em alguns casos, cumprem a função de distribuidor final e não entregam ao superior o dinheiro proveniente da venda. Em outros casos, é apenas um usuário, cujo tempo o transforma em viciado e em endividado. Neste ponto, troca de ‘‘boca’’ para conseguir mais droga e, logo depois, já fica sob a ostensiva ameaça do ex-fornecedor. Na lei do tráfico, dívida não-paga é punida com pena de morte.
  Quando este pesadelo começa, o adolescente já conseguiu atribular o cotidiano da família. Não são raros casos de pais ameaçados na rua ou mesmo dentro de casa. Sem qualquer garantia, o garoto pede socorro ao poder público. Normalmente, o pedido é indireto e é a mãe quem procura o Conselho Tutelar (CT).
  O órgão vem enfrentando dificuldades para conseguir recursos para atender a demanda crescente. A falta de recursos para a transferência destes adolescentes, a falta de abrigos e de uma estrutura adequada para o primeiro atendimento são os obstáculos apontados por pessoas que vivem o dia-a-dia deste drama.
  Para entender como é este processo, a Folha ouviu pessoas ligadas a esta dura realidade urbana, entre elas pais e mães que sabem a dor de ver seu filho partir – vivo ou morto – depois de conhecer como funciona a lei do mais forte.

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