Se o Museu Histórico de Londrina é uma instituição destinada a preservar a memória, o próprio edifício – de linha arquitetônica singular e majestoso por natureza – não pode ser descaracterizado. Mas é o que alguns neo-londrinenses descompromissados com a história – aparentemente compondo uma legião de inimigos do museu – estão desejando fazer, com a anexação de um barracão aos fundos, de linhas contemporâneas. Além do constraste arquitetônico (o projeto foi mostrado ontem, neste jornal), a visibilidade da estrutura externa do prédio original ficaria ofuscada para os que estarão de fora. Seria quebrada, assim, a originalidade da mais notável edificação de Londrina, porque difere de toda a linha art-déco da cidade, e por isso é tão atraente. Violentada a parte dos fundos, logo farão o mesmo com a parte dianteira, e um terceiro passo será ir demolindo a construção antiga, até que tudo se transforme num edifício de aço e vidro. Esse puxado – com o fim proposto de ser um Memorial do Pioneiro – tem essa marca descaracterizadora. Assim, planeja-se ocultar a imagem da bela construção pioneira para dar lugar à modernidade. É no nímimo uma incoerência pretender com isso homenagear os pioneiros destruindo o que eles construiram. A sociedade consciente, e sobretudo os filhos, netos e bisnetos de pioneiros, devem reagir a esse absurdo projeto, que conspira contra a memória dos colonizadores e passa a ser uma agressão a eles. Há pessoas que, por não haverem vivido a história das grandes realizações, imaginam não ter compromisso com ela e que não sejam devedoras de gratidão e de respeito. O Secretário da Cultura, Luciano Bitencourt, declara que o projeto está gerando uma ‘‘saudável polêmica’’, mas não está havendo polêmica alguma e sim uma saudável oposição. Se os ditos ‘‘amigos do museu’’ não forem impedidos em tempo, eles serão capazes de fazer! Sementes de idéias ruins proliferam rápido, porque destruir, danificar, descaracterizar, é mais fácil do que edificar. Um prefeito, em Londrina, foi capaz de mandar encher de entulhos parte do lago Igapó-2, então é preciso ficar vigilante. É preciso reagir prontamente contra a perpetração desse delito contra o edifício do Museu. O próprio Museu – compreendidos o edifício-sede e o acervo – já são um memorial aos pioneiros, mas se o que se quer é homenagear ainda mais esses valorosos precursores da construção de Londrina, que se levante o memorial em outro lugar, que pode ser junto ao Teatro Municipal já prometido para ficar pronto no atual mandato. Nem o ‘‘debate’’ marcado para 15 de março deveria ocorrer, porque nada há a discutir. Um debate pressupõe que haja partes equivalente de favoráveis e contrários, mas não é o que ocorre com relação à colocação desse penduricalho no prédio do Museu. Pasme-se, mas os inimigos do edifício já elaboraram o projeto da meia-água, produto de um concurso entre arquitetos. É que existe uma verba garantida para esse fim, obtida junto à União por um deputado federal, filho de pioneiros e que, inocentemente, não está percebendo o desserviço que presta à causa da preservação do (já pouco) patrimônio físico da Londrina do passado. Um passado recente, mas registro fundamental que não pode ser modificado assim aleatóriamente. Insensatez, falta de sensibilidade e de respeito aos antepassados, violência! Há que impedir a ação desses brincalhões irresponsáveis, antes que seja tarde!

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