Não deve ser minimizada, como faz o secretário de Segurança Pública, a ameaça de sequestro a deputados do Paraná, a um juiz, ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB paranaense e outras personalidades de destaque, feita pela organização criminosa conhecida como PCC, sigla de Primeiro Comando da Capital. Pela ameaça escrita e tornada pública, o objetivo é valer-se de autoridades sequestradas como moeda, para troca pela libertação de líderes do grupo.
Esse poder já demonstrou a força que tem e não é prudente negligenciar. De um lado, os cidadãos comuns vivendo com medo da ação dos assaltantes, que – como se conhece de tantos casos divulgados pelos veículos de comunicação – atuam muitas vezes sob o proteção de integrantes do sistema policial, e de outro, agora também as autoridades passando a viver clima de terror, porque essas ameaças do PCC não podem ser levadas à conta da brincadeira. Mesmo que nada ocorra com a presente ameaça, não significa afastamento do perigo.
A população brasileira vive tempos de insegurança, mas é certo que os parlamentares e governantes também constituem motivo de temor para o povo, em face da ditadura de seus atos, de medidas que tomam em benefício próprio e da corrupção institucionalizada. Viu-se nos jornais de ontem que os deputados estaduais do Paraná acabam de aprovar uma nova tabela de custas, com reajuste médio de 40%, nos serviços dos cartórios – e em alguns casos até de 1.500% – e que beneficiam especialmente parlamentares-cartorários, entre os quais o próprio presidente da Casa.
O governador vetou o aumento mas, agindo em sessão secreta e noturna os deputados derrubaram o veto. Ante-ontem, como queria o governo, o Senado realizou duas sessões extras para garantir o cumprimento do calendário acertado com os partidos, a fim de votar o primeiro turno da emenda que prorroga a CPMF. O Congresso tem aprovado tudo o que o governo desejou, e isso não acontece gratuitamente. Os males não residem, pois, apenas nas ameaças do PCC, na ação dos ladrões e assaltantes, mas também nos delitos urdidos nos recintos governamentais. Resta saber quais oferecem mais danos à população.

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