AMEAÇA DE SURTO Casos de malária em 2002 são recorde em sete anos
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domingo, 24 de novembro de 2002
Benedito Teles<br> Equipe da Folha 
Jacarezinho O número de casos autóctones de malária registrado no Estado em 2002 é o maior dos últimos sete anos, alerta a Secretaria de Saúde do Paraná. Foram registrados este ano 104 casos autóctones, transmissão que ocorre no próprio Estado, e 109 casos ''importados'', vindos de outros Estados. No total, foram 213 casos da doença. No Paraná o mosquito transmissor mais comum é o Anopheles darlingi, popular mosquito prego.
Pesquisa da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) mostra que o Paraná ainda corre o risco de apresentar surtos de malária. A pesquisa, realizada entre 1997 e 1999, capturou mais de 94 mil mosquitos de espécies diferentes e analisou sua distribuição geográfica e seu comportamento em 74 localidades de 53 municípios estudados. O censo mobilizou 37 técnicos e possibilitou a criação de um banco de dados sobre os mosquitos transmissores.
Os técnicos do órgão avaliam que o Paraná é um Estado considerado de baixo risco, mas alertam que os municípios localizados às margens do lago de Itaipu são considerados de médio risco, devido ao clima favorável e ao intenso tráfego de pessoas de outras regiões. No Paraná, foram encontradas quatro das cinco principais espécies transmissoras da malária no Brasil. As espécies de mosquitos transmissores identificadas foram a Anopheles darlingi, Anopheles albitarsis, anofelinos cruzii e bellator.
O entomologista da 19 Regional de Saúde de Jacarezinho, Allan Martins da Silva, coordenador do censo, disse que, ainda, há possibilidade de surto. Porém, o entomologista garante que uma epidemia só seria possível se ocorresse uma série de circunstâncias particulares como aumento do número de mosquitos e clima propício.
Em 2002 foi registrado um surto na Reserva Indígena de Ocoi no município de São Miguel do Iguaçu. A secretaria de Estado da Saúde informou que o surto ocorre em março e abril, mas antecipou que em setembro e outubro não foram registrados novos casos.
O entomologista diz que os resultados só foram apresentados agora porque a Funasa, durante o período de realização do trabalho, teve suas ações e técnicos descentralizados para Estados e municípios. Silva comentou que o Paraná faz parte da área de risco baixo para malária, por causa da interrupção da transmissão nas décadas de 60 e 70.
Silva explica que o principal transmissor da doença, anopheles darlingi, foi localizado principalmente no extremo oeste e o noroeste do Estado com 92% dos exemplares capturados. Ele alerta que a pesquisa proporcionou o conhecimento da fauna de mosquitos dos ecossistemas locais. O pesquisador afirma que estas informações permitirão a formulação de medidas contra a malária no Estado.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a doença atinge 300 milhões de pessoas por ano, principalmente no continente africano, e causa pelo menos 1,5 milhões de mortes. O resultado da pesquisa será integrado á ''Carta Anofélica do País'' para direcionar os planos de combate à doença do governo federal. O ''censo'' será apresentado em março de 2003 durante o 38º Congresso, sediado em Belém, da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.
A técnica Lúcia Harumi Minami, da Divisão de combate de doenças transmitidas por vetores, da Secretaria de Estado da Saúde, disse que 2002 é um ano atípico porque não representa o quadro geral da doença no Estado. ''Os números gerais demonstravam a queda no número de casos'', diz. Ela explica que os casos registrados no Paraná, em sua maioria, são ''importados'' de outros Estados, considerados de alto risco, na região Amazônica. Ela explica que é fundamental que as pessoas que apresentem os sintomas da doença procurem o serviço de saúde para o diagnóstico e tratamento. A medida visa evitar a disseminação.


