AMBIENTE X CONSUMO É preciso saber comprar
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terça-feira, 13 de outubro de 2009
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
O mundo se prepara para mais uma discussão sobre as condições climáticas do planeta. Em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, a reunião COP - 15 pretende discutir novas metas e corrigir as falhas do Protocolo de Kyoto. Por mais que o assunto seja intensamente debatido, novas discussões sempre surgem. Stefano Shigueru Mitamura é especialista em Planejamento e Gestão Ambiental. Para ele, mais importante do que a reciclagem é o uso consciente dos recursos e a redução de resíduos.
''A política dos cinco Rs é muito importante, as pessoas têm que começar a pensar dessa forma, colocar o meio ambiente nas suas decisões. O primeiro ''R'' é repensar as atitudes, colocando o meio ambiente nas suas considerações. Recusar é o segundo R, que seria não aceitar produtos e empresas que agridam o meio ambiente. Depois deve-se reduzir o consumo, e depois tentarmos reutilizar os resíduos. Por fim, reciclar tudo que foi gerado'', explica Mitamura.
Desde quando vem esse desgaste do ambiente?
O homem sempre teve uma ação predatória em relação ao meio ambiente. Até um certo momento tinha muito meio ambiente para pouco homem. Mas, principalmente com a Revolução Industrial, houve um crescimento demográfico muito grande. Esse crescimento acabou fazendo com que houvesse uma demanda para os produtos e serviços. Houve aumento do consumo, (o homem) precisou produzir mais, precisou de mais recursos naturais e essa cadeia nunca se preocupou em verificar onde estava o equilíbrio que se fala hoje, a produção sustentável.
E como dosar o consumo e o cuidado com o meio ambiente?
Por um lado a sociedade e o próprio governo estão fazendo políticas para incentivar o consumo porque precisam produzir e movimentar a economia. E por outro lado tem o meio ambiente dizendo que tem que ser mais devagar. O grande desafio do século XXI é esse. Como se faz isso? Logicamente, com produção sustentável, otimizando a utilização dos recursos, utilizando de forma racional, coibindo o desperdício, fazendo a educação ambiental. Isso seria uma maneira para tentar o equilíbrio entre o desenvolvimento e o consumo, porém com cuidados, com critérios, para que isso seja sustentável.
Muitas vezes os preços de alguns produtos ecologicamente corretos são inacessíveis para grande parcela da população. Qual é a saída para isso?
Na verdade hoje é caro por conta até de que uma empresa que tem todo esse cuidado com o meio ambiente demanda mais recursos. Você pega um produto produzido sem origem, que não respeitou o meio ambiente, o funcionário que trabalhou lá não tem nem salário, não tem carteira assinada, é uma competição injusta. E o mercado hoje é pequeno, mas ele está crescendo a cada dia, alguns consumidores estão se tornando mais exigentes, muita gente está recusando produtos e a tendência é que isso aconteça naturalmente. E muitas vezes a preservação do meio ambiente não é só comprar um produto, é você em casa, como cidadão, fazer sua parte, não deixando a luz acesa sem necessidade, tomando banho no tempo necessário, mas não exagerado. Quando falamos em meio ambiente, as ações são locais, mas os efeitos são globais.
Falando nisso, estamos em tempos de grandes mudanças no clima. Podemos dizer que isso já é efeito das ações do homem?
Quem pode afirmar isso são os cientistas. Nós confiamos nos estudos feitos por eles, que confirmam que muito do que está acontecendo hoje é reflexo das alterações antrópicas (feitas pelo homem) na natureza. A ação do homem modifica o microclima de uma região e quando essa ação é muito grande, isso tem um impacto global.
Quanto tempo essas ações positivas de hoje levarão para surtir efeito?
Logicamente que isso é só uma hipótese, ainda é muito incipiente, mas muitas ações que já foram feitas surtiram efeitos significativos. Por exemplo, o Protocolo de Kyoto. Nós tínhamos o problema do CFC, que foi proibido há alguns anos. Já há estudos mostrando que a camada de ozônio, que era agredida pelo CFC, já está se recompondo. Acho que depende da ação do homem, se for mais lenta ou mais rápida. Por isso é importante existir políticas públicas, educação ambiental. É mais fácil instruir alguém que está começando a aprender do que alguém que já tem uma ideia concebida.


