Empresas inovadoras, produtivas e rentáveis, que conseguem atrair e reter talentos. Organizações capazes de oferecer maior satisfação aos clientes, com princípios éticos e compromisso social. Estas são algumas das características das melhores empresas para se trabalhar no Brasil e no mundo.
A conclusão é do Great Place to Work Institute Brasil (Melhor Lugar para se Trabalhar, em tradução livre), empresa que atua em mais de 50 países e identifica as melhores organizações para se fazer carreira. Cerca de 1,5 milhão de funcionários e 3,8 mil empresas de diferentes segmentos e portes já foram avaliados na pesquisa.
''As melhores empresas para se trabalhar nem sempre pagam altos salários. A relação do funcionário com a liderança, com a equipe e com trabalho realizado são capazes de trazer maior satisfação'', afirma Ruy Shiozawa, CEO (diretor-executivo, na sigla em inglês) do Great Place to Work.
Ele aponta que as melhores organizações para se trabalhar no País apresentam retorno três vezes maior do que o Ibovespa (indicador das ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo) e indica as políticas que os gestores podem adotar a fim de transformar as empresas. ''O gestor tem que gastar boa parte do seu tempo cuidando dos seus funcionários. Esse é o grande desafio'', pontua Shiozawa, que vai estar em Londrina na quinta-feira para o Encontro Nacional de Recursos Humanos.
Quais as características comuns das melhores empresas para se trabalhar no Brasil e no mundo?
Por trás de um bom ambiente de trabalho existem três fatores. A relação do funcionário com a liderança da empresa, especialmente com o líder imediato. A relação com o trabalho que realiza. E a relação com os demais colaboradores. As empresas que conseguem estimular esses três fatores são as melhores para se trabalhar.
E de que forma os gestores podem estimular esses itens?
Algumas políticas podem ser adotadas. No momento da contratação, é importante enfocar a cultura da empresa. O gestor não deve analisar somente o currículo e realizar uma entrevista técnica. É preciso verificar se o candidato se adequa ao modelo cultural da organização e vice-versa. O gestor também deve escutar o funcionário. Há empresas que se aprimoram na arte de escutar, passando pesquisas, colocando caixa de sugestões e arrumando mecanismos para ouvir o colaborador. Além disso, o gestor tem que transmitir os valores e os objetivos da organização. Também é importante inspirar o colaborador e agradecê-lo quando o trabalho trouxer resultados positivos. Desenvolver o funcionário, estimulá-lo e cuidar da equipe são pontos fundamentais. Por fim, é interessante celebrar as conquistas e compartilhar os resultados obtidos.
O funcionário também deve apresentar algumas características específicas para se destacar na empresa. Qual a postura indicada para uma carreira de sucesso?
Primeiramente o funcionário deve selecionar a empresa para a qual vai trabalhar, procurando conhecer os valores e a cultura do lugar. As melhores empresas conseguem utilizar o talento de quase todas as pessoas que integram a equipe. Se o funcionário estiver satisfeito com a empresa, encontrar espaço para se desenvolver e para dar a sua contribuição, com certeza, ele vai ter desempenho melhor. No entanto, sempre vai existir uma fatia de 10% a 15% que vai dar problema. Tudo depende da performance individual.
Qual é a relação entre a qualidade do ambiente de trabalho e os resultados alcançados pelas empresas?
As melhores empresas atraem e retêm os talentos. Quando o ambiente de trabalho é bom, mais gente quer trabalhar na empresa e quando entra não quer sair. A rotatividade é baixa. As melhores organizações geram maior satisfação dos seus clientes, são mais produtivas e inovadoras. A gente acompanha o desempenho das melhores empresas para se trabalhar em relação às bolsas de valores. O resultado é chocante.
Por exemplo, no Brasil, as melhores empresas têm um desempenho três vezes superior ao do Ibovespa. Se a pessoa tivesse aplicado R$ 100 mil na bolsa no ano 2000, teria R$ 409 mil em 2009. Mas se tivesse aplicado o mesmo valor nas melhores empresas, teria um pouco mais do que R$ 1,2 milhão.
Qual a importância do investimento no capital humano?
Está ficando cada vez mais evidente que uma das coisas mais importantes é esse tipo de investimento. Às vezes um funcionário sobe de cargo, passa a ser chefe e vai se distanciando dos demais, deixando de ouvir, de falar, de agradecer. Cada gestor tem que gastar boa parte do seu tempo cuidando das pessoas. Esse é o grande desafio. Investir no funcionário é muito mais do que pagar cursos de capacitação, é dedicar um tempo a ele, é dar um feedback do seu trabalho.
O senhor afirma que a remuneração nem sempre é o que caracteriza a satisfação pessoal. Quais fatores trazem mais contentamento aos funcionários, além de um salário justo?
O funcionário realmente tem que receber um salário justo. Ele não pode se sentir injustiçado. Mas o nosso estudo constatou que há empresas que pagam salários acima da média do mercado e são excelentes para se trabalhar. E há as que pagam salários abaixo da média e que também são excelentes para se trabalhar. Não conseguimos fazer uma relação direta entre salário e ambiente de trabalho. Percebemos também que o funcionário valoriza outros aspectos como ter confiança no chefe, orgulho do trabalho que desenvolve e gostar da equipe.
Serviço
Encontro Nacional de RH - 11 de novembro - Hotel Blue Tree, na Avenida JK, 1.356. Centro - Londrina. Inscrições: (43) 3341-0310 e www.abtdpr.com.br. O investimento é de R$ 180 (público geral), R$ 150 (sócios da Associação Brasileira de Treinamento e desenvolvimento - ABTD/PR) e R$ 120 (estudantes).

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