A maior área verde urbana de Londrina pede cuidados. O Parque Arthur Thomas, na zona sul do município, com seus 85,47 hectares de mata, quedas d'água e trilhas apresenta sinais visíveis de falta de conservação. A erosão está presente na maioria das encostas, causando assoreamento nos riachos e acabando com a segurança das passarelas. Uma delas, sobre uma cachoeira, já perdeu a grade de proteção e está caindo, mas até a semana passada não havia sido interditada.
Doada ao município pela Companhia de Terras Norte do Paraná, responsável pela colonização da região, a mata ainda convive com outros problemas que nos últimos anos têm espantado os visitantes. Entre eles a falta de segurança e o fato de ter se tornado um dos principais focos do mosquito transmissor da leishmaniose (flebótomo). O inseto é contaminado ao picar animais silvestres, como roedores e outros bichos da mata que tenham o leishmania (protozoário).
A preocupação em recuperar o parque, que abriga a primeira usina hidrelétrica do município, levou um grupo de moradores da região a se organizar e levantar seus principais problemas. O relatório foi apresentado dias atrás ao secretário municipal de Meio Ambiente, padre Dirceu Luiz Fumagalli.
Os moradores enumeraram vários problemas relacionados ao entorno do parque. A incapacidade da rede pluvial de dar vazão à quantidade de água em dias de muita chuva por ser inadequada ou por estar obstruída por lixo é um deles. Com a incapacidade do sistema pluvial, as vias de acesso ao parque ficam inundadas pela enxurrada, que também desce pelas encostas do Arthur Thomas, lavando toda a matéria orgânica.
O grupo denuncia ainda a utilização ilegal do entorno do parque para deposição de entulho e lixo doméstico, trazendo risco para a saúde da população. Há denúncias ainda de despejo ilegal de esgoto por indústrias da região e existência de residências que não possuem fossas assépticas, escoando dejetos nos canais de águas pluviais que convergem para o parque. O resultado é a contaminação das nascentes e criação de focos de doenças.
Mais uma série de problemas foi constatada dentro do parque. Má conservação das cercas que contornam o parque e número insuficiente de portões para o trânsito de usuários; má conservação dos caminhos pavimentados, com risco de acidentes fatais com usuários; número insuficiente de lixeiras e de placas de sinalização tanto indicativas quanto educativas; vulnerabilidade dos animais silvestres, principalmente as capivaras, em função da ausência de fiscalização; e proteção inadequada das mudas de árvores ao redor do lago, que são quebradas pelas capivaras ao se coçarem.
''Esta é uma reserva representativa da nossa fauna e nossa flora. O parque tem o caráter de preservação e de contemplação, além do lado histórico. Não é apenas uma questão de lazer'', observa a bióloga e socióloga Márcia Oliveira, uma das integrantes do grupo de moradores que está se organizando para trabalhar pelo Arthur Thomas. Para ela, é preciso que se desenvolva um projeto de manejo para a fauna, já que há várias espécies dentro do parque, como tatus, quatis, capivaras, cutias, pacas, jacarés, diferentes tipos de aves e uma superpopulação de macacos.
Caminhando pelo parque é possível constatar, acima de tudo, que o público está distante do local que deveria ser um movimentado centro de lazer. A boa sensação proporcionada pela visão das quedas d'água e pelo cheiro de mato é sentida só por alguns raros visitantes. Em aproximadamente duas horas de caminhada pelos caminhos que cortam a mata, a reportagem da Folha encontrou apenas um casal de amigos, que mora nas redondezas. Vânia Silveira Lopes e Gleison José Verenique dos Santos contam que passeiam sempre pelo local. ''Gosto daqui, mas acho que podia ter mais segurança e maior limpeza'', diz Vânia.
Uma saída clandestina do parque que dá acesso a trilhas que permitem cortar caminho entre o Jardim Piza e bairros vizinhos é o ponto de maior movimento nos dias de semana. ''Por aqui é mais perto e não é tão perigoso'', garante Ivonice Guilherme Chaves, que trabalha com reciclagem e não tem condições de pagar ônibus. A entrada no parque é feita por uma ''brecha'' no alambrado, que já foi consertado diversas vezes. ''Seria bom se colocassem um portão aqui para a gente poder passar'', sugere Ivonice.

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