Amanhã tem Provão
Márcio Almeida, Gianna Perim e Regina Gil
No Brasil todo, pelo quinto ano consecutivo, realiza-se amanhã a prova de verificação dos conhecimentos adquiridos pelos 214.924 alunos das últimas séries de 2.938 cursos de graduação referentes a 18 áreas de atuação profissional: Administração, Agronomia, Ciências Biológicas, Comunicação Social, Direito, Ciências Econômicas, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia Química, Física, Letras, Matemática, Medicina, Medicina Veterinária, Odontologia, Psicologia e Química.
Em Londrina, estarão comparecendo ao Colégio Vicente Rijo e ao IEEL, locais de aplicação das provas, 1.111 formandos de 15 cursos de graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Da relação acima, somente três cursos não tomarão parte: Engenharia Química e Engenharia Mecânica por não existirem na nossa universidade, e Engenharia Elétrica, por ainda estar em fase de implantação.
A importância de participação nessa prova vai muito além do fato dela ser obrigatória e requisito para o registro do diploma. Trata-se de um dos instrumentos do Sistema Nacional de Avaliação das universidades brasileiras, que está sendo construído a duras penas.
Hoje estão relativamente superadas as críticas e o boicote de setores do movimento estudantil. Atualmente ocorre a resistência de segmentos mercantilistas do ensino superior que, a partir dos resultados nos anos anteriores, vêm sendo obrigados a investir parcelas de seus lucros em infra-estrutura e no corpo docente, o que não estava nos seus planos.
Para nós, dirigentes universitários do setor público, o Provão tem significado um desafio permanente. Vem exigindo providências internas como o aprimoramento dos bancos de dados institucionais relativos aos cursos, propiciando o melhor conhecimento das condições de oferta e das nossas insuficiências, bem como do perfil mais detalhado do nosso corpo docente.
O Provão tem criado momentos de análise sobre os resultados obtidos a cada ano, contribuindo para a consolidação de uma cultura de avaliação permanente e a busca de soluções para os problemas detectados. Vem contribuindo para uma tomada de consciência sobre a importância do gerenciamento dos cursos, uma tarefa compartilhada por várias lideranças e instâncias institucionais que anteriormente pouco conversavam entre si.
Além disso, na UEL, os resultados do Provão permitiram a valorização da avaliação interna e passaram a ser considerados no planejamento institucional, inclusive como um dos critérios para a destinação de recursos visando solucionar problemas detectados na infra-estrutura dos cursos. Ademais, se hoje a universidade dispõe de uma política de investimentos estável no seu acervo bibliográfico, muito se deve ao Provão.
Os alunos da UEL deverão demonstrar no próximo domingo os conhecimentos construídos em todos seus anos de vida universitária. Sabemos que através dessa prova quem está de fato sendo avaliado somos nós, os professores, os cursos pelos quais somos responsáveis e a própria universidade. Precisamos da crítica e das avaliações pois elas são imprescindíveis para corrigir rumos e implantar mudanças.
Em novembro próximo, quando os resultados do Provão 2000 serão divulgados, esperamos comemorar novamente, junto com a sociedade londrinense, mais um bom desempenho dos cursos da UEL. Essa é mais uma forma de lutar em defesa do ensino público e de qualidade.
- MáRCIO ALMEIDA é vice-reitor e coordenador de Assuntos de Ensino de Graduação, GIANNA PERIM é presidente da Comissão Permanente de Avaluação Institucional (Copai) e REGINA GIL é diretora de Avaliação e Acompanhamento Institucional da Assessoria de Planejamento e Controle (APC) da UEL

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