Para todas as profissões exige-se especialização, menos para o administrador público. Entenda-se aí os prefeitos, seus secretários e atendentes de funções técnicas, os governadores e suas equipes e o próprio presidente da República e seus ministros. Uma anomalia que deveria ser corrigida. ''Acabou o tempo do amadorismo'' declara a este Jornal, referindo-se ao assunto, o corregedor do Tribunal de Contas do Paraná, Fernando Mello Guimarães. Esta sentença deriva da convivência do TC com frequentes irregularidades nas prefeituras, relacionadas com a Lei das Licitações, com desvio de verbas, contratações fora das normas legais, obras abandonadas e assim por diante. A revelação do Tribunal é que a maioria dos prefeitos não faz controle interno e nem planejamento, embora eles se contraponham com a chorosa e questionável argumentação de que não têm dinheiro e nem servidores capacitados. Eminentes administradores públicos têm declarado que uma boa gestão se faz 20% com dinheiro e 80% com boa vontade, e essa assertiva tem fundamento, com base em constatação histórica. Se os servidores não são bons, o comandante raramente o é, tanto que se utiliza de auxiliares iguais em competência. Um bom prefeito, com alguma formação gerencial, visão política e sensibilidade para eleger prioridades e saber administrar com o pouco que tem, é capaz de operar milagres, ademais se souber arrebanhar e mobilizar a comunidade para auxiliá-lo. Em outras palavras, governar com o povo para assim melhor servir ao mesmo povo. Muitas vezes o dinheiro que falta para atendimentos sociais é o que sai pelo ralo em forma de gastos desnecessários, desperdício, mordomias e corrupção. Fosse tão ruim o cargo público eletivo, não haveria tantos candidatos e os eleitos não ficariam tão obcecados por reeleger-se. O que impera dominante, na administração pública, é a falta de preparo, a incompetência, o centralismo, o desconhecimento de leis e regimentos e as práticas fraudulentas com o dinheiro do povo. Por isso tantas contas são desaprovadas pelo Tribunal. Se o corregedor do TC declara que o Tribunal de Contas ''está sempre à disposição para orientar os prefeitos'', essa fonte deve ser consultada com frequência, de forma a evitar cometimentos equivocados no trato dos negócios públicos. Por conta da insuficiente qualificação, da baixa conscientização e também da escassa formação moral, os administradores públicos sobrecarregam os tribunais especializados e o Ministério Público com exames de contas e denúncias de irregularidades. Têm suas razões os prefeitos ao queixar-se que a União fica com a fatia maior do bolo tributário e que é grande o onus dos atendimentos sociais por parte das comunas municipais, mas se a reversão dessa situação é uma luta que precisa ser travada tarefa para os parlamentares não invalida que os prefeitos se organizem e assumam posições mais verticais no exercício da função. Porque se as prefeituras forem melhor administradas, isto significará meio caminho andado para, no global, o País também andar melhor. A implantação de uma nova ordem pode começar pelas bases, e na verdade é assim que deve ser.

mockup