Alvos, cada vez mais jovens, da violência
Os números que expõem os casos registrados de violência contra crianças e
adolescentes, apresentados na edição de ontem desta FOLHA, não podem ser
ignorados. São dados alarmantes que mostram uma superexposição deste
público, que deveria ser protegido. Mais do que indicar a "interiorização
da violência", como afirmam especialistas, alerta para a quantidade de
vítimas cada vez mais jovem e para a "gritante" falta de políticas
públicas que deveria acolher essa fatia da população.
De acordo com o Mapa da Violência publicado no ano passado pela Faculdade
Latino-Americana de Ciências Sociais, em dez anos (de 2000 a 2010, último
dado disponível), os casos registrados em Londrina superaram em quase 100%
a média nacional. São 22,5 crianças e adolescentes assassinados na cidade
por cem mil habitantes, contra 18,8 no Paraná e 13,8 no Brasil. É um
número extremamente alto e que precisa ser revertido, com urgência.
O governo do Estado identificou a necessidade e investiu na instalação de
Núcleos de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucrias) nos municípios de
Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel. Formado por uma equipe
especializada, o trabalho é focado no atendimento e na investigação de
crimes contra crianças e adolescentes. É uma ação relevante e necessária.
No entanto, é preciso mais.
Apesar de ser um tema recorrente, somente a oferta de uma educação de
qualidade, com políticas também de inclusão social e envolvimento da
comunidade, é que poderão colaborar, no longo prazo, para a queda desses
números. Crianças e adolescentes devem ser motivados a permanecer no
ambiente escolar em seu contraturno para a participação em atividades
culturais, esportivas e de lazer. Também devem ser desenvolvidos cursos
focados na qualificação profissional.
Outro ponto que deve ser abordado é a estruturação das famílias. Pais
despreparados e sem interesse em educar seus filhos também são um
problema. Ociosos e passando boa parte do tempo nas ruas, tornam esses
jovens alvos fáceis de criminosos. A solução é difícil e trabalhosa, mas
nem por isso deve ser postergada.





