Alvaro: 'Não vou lotear o governo em troca de apoio'
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de outubro de 2002
Denise Angelo<BR>Equipe da Folha 
Folha - O que faltou para o senhor ganhar no primeiro turno?
Alvaro - O que houve foi uma agressão coletiva. Como eu era o candidato com possibilidades de ganhar no primeiro turno, todos os demais apontaram sua artilharia contra mim. Não foi só na tevê que isso aconteceu. Foi também através de telemarketing, reuniões e entrevistas. Eu também fiquei sem estrutura no interior do Estado. Os prefeitos tinham medo de me apoiar por causa da presença do atual governo na disputa. Mas esse apoio não faltará no segundo turno, quando eu terei o apoio maciço dos prefeitos do Paraná.
Folha - Todo o tipo de apoio no segundo turno será bem vindo ou haverá uma seleção?
Alvaro - Todo o apoio desinteressado será bem-vindo. Desde, é claro, que não implique em barganhas. Não vou lotear o governo em troca de apoio. Agora, quem quer ganhar eleição não pode recusar apoio.
Folha - No que o seu governo se diferenciou do governo do seu adversário?
Alvaro - Não faço essa comparação. O meu governo teve avaliação positiva durante os quatro anos. Foi o governo mais popular do Brasil, atestado por várias pesquisas. Principalmente na questão financeira. Eu terminei o governo com um superávit, com um grande programa de obras, com o salário do funcionalismo em dia. Foi um período difícil, de implosão do Cruzado. Mesmo assim, enquanto o Produto Interno Bruto do Brasil caiu 5,8% no período, no Paraná tivemos um crescimento de 13%.
Folha - O que vai fazer de diferente do que fez no seu primeiro mandato como governador?
Alvaro - Em matéria de gestão, nada. Agora, vivemos outro tempo e pretendo envolver mais a sociedade no processo administrativo. Vivemos um tempo de maior envolvimento do setor privado nas administrações e isso eu pretendo propiciar.
Folha - No que o senhor acha que errou durante seu primeiro mandato como governador?
Alvaro - Todos nós erramos. Eu errei na escolha de algumas pessoas que integraram a minha equipe. Não vou falar nomes porque envolve gente que concorre comigo. Agora, a experiência me ajuda. E é essa experiência que vai me ajudar a escolher bem. Só a experiência permite escolher com correção. Quem é feliz na composição do seu governo tem sucesso na gestão.
Folha - O que o senhor considera que é o maior defeito e a maior qualidade do seu adversário?
Alvaro - Eu não falo dos meus adversários.
Folha - Se eleito, qual será sua primeira ação à frente do governo do Estado?
Alvaro - Vou sanear financeiramente o governo. Teremos que fazer uma reforma administrativa, combater a sonegação, aumentar a arrecadação. Também pretendo analisar juridicamente os últimos atos do atual governo para ver como conduzir essa questão dos aumentos dados recentemente.
Folha - É difícil fazer campanha contra um ex-aliado?
Alvaro - Não é difícil, mas há o constrangimento de algumas pessoas. Eu gostaria de manter um debate elegante, mas não foi possível. O problema não são as antigas alianças. O problema é o caráter dos meus ex-aliados. Nunca imaginei que o caráter das pessoas sofresse tal deterioração. Se eu imaginasse isso, jamais teria proposto aliança com essas pessoas.


