Nenhuma das 68 escolas municipais de Londrina funciona em período integral. Ao contrário, 3 delas ainda mantêm o chamado ''período intermediário'', que obriga os alunos a ter apenas três horas e meia de aulas em horários ''alternativos''.
A escola Professor Moacir Camargo, no Conjunto Parigot de Souza I, têm 650 alunos e apenas 6 salas de aula. O primeiro grupo de estudantes entra às 7h30 e sai às 11 horas, quando então as salas são cedidas para os alunos do turno intermediário, que estudam até as 14h30. Na sequência é a vez das últimas 6 turmas, que ficam na escola até às 18 horas. Os alunos têm apenas 10 minutos de intervalo para o lanche. O drama se arrasta há 12 anos, sem solução.
Na escola Irene Aparecida da Silva, no Conjunto Jamile Dequech, o turno intermediário é novidade. Como o Estado não tem nenhuma escola no bairro, a Secretaria Municipal de Ensino teve que emprestar o prédio para os alunos de 5 à 8 séries no período da tarde. Sem conseguir acomodar os 198 alunos da rede municipal nas seis salas de aula disponíveis, a direção da escola teve que criar o período intermediário.
Os alunos da escola Professora Barbara Falcovski Vieira, no Jardim União da Vitória, estão suportando o período intermediário com uma esperança - a direção da escola prometeu que a situação é provisória e deve ser resolvida já no próximo semestre, quando uma nova escola vai ser inaugurada no local. Durante oito anos - de 1993 até 2001 - a escola conviveu com o problema. Com a construção do Centro Integrado de Atendimento à Criança (Caic) e uma outra escola no bairro, os alunos foram distribuídos e o período intermediário acabou.
Este ano a Secretaria Municipal de Educação resolveu construir uma escola nova e como o único local disponível era o terreno onde funciona a Barbara Vieira, parte da escola foi demolida para dar lugar à construção. Sobraram 5 salas para serem divididas entre 397 alunos. ''O período intermediário é a pior coisa que pode acontecer numa escola. Prejudica o aluno e o professor, a gente sabe disso, mas não tínhamos para onde ir, essa era a nossa única alternativa'', lamenta a diretora Amélia Magrineli.
A Secretária Municipal de Educação, Magda Tuma, culpa as administrações anteriores pela situação. ''Durante décadas ficamos sem investimento na área de educação e agora estamos colhendo os frutos'', justifica. Ela diz que é impossível implantar escolas de período integral em Londrina. ''Teríamos que construir pelo menos 70 novas escolas para transformar todas em período integral''.
Diante da situação, os alunos das escolas Professor José Gasparini e Moacir Camargo Martins, na zona Norte, são considerados ''felizardos''. As duas escolas são as únicas da rede municipal que oferecem oficinas de cozinha experimental, educação artística, jogos, ciências, produção de textos, artesanato, teatro e musicalização. Os alunos têm 6 horas de atividades 4 horas de aulas normais e mais uma hora e meia para participar das oficinas. Todos almoçam na escola. (P.F.)

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