Alto índice de desenvolvimento?
Londrina sempre foi considerada cidade de vanguarda e um dos ícones do desenvolvimento entre os municípios do interior do Brasil. No entanto, nos últimos anos, notadamente a cidade vem perdendo espaço no cenário nacional. O mais recente fato foi divulgado nesta semana pelo Sistema Firjan (órgão vinculado à Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) e aponta que a cidade perdeu duas posições no ranking de desenvolvimento municipal e agora ocupa a quarta posição estadual, atrás de Curitiba, Araucária (Região Metropolitana de Curitiba) e Maringá (Noroeste). Londrina é o segundo município com maior número de habitantes do Estado e, apesar do resultado, ainda está classificada como ''desenvolvimento alto''.
É importante ressaltar que a pesquisa é baseada em informações de saúde, educação, emprego e renda de 2009, que não necessariamente refletem o momento atual. No entanto, se fosse baseada em dados deste ano o resultado seria diferente? Em uma análise bastante simplista e baseada em reportagens publicadas durante este ano nesta FOLHA, foi constatado que Londrina detém a terceira maior renda per capta do Estado, atrás de Curitiba e Maringá, respectivamente. A geração de empregos cresce com menos velocidade do que a média estadual; a cidade está apenas na 10 posição no ranking estadual do saneamento e, para finalizar, o aeroporto também cresceu menos do que o de Maringá, por exemplo.
Ainda pode-se considerar informações extraoficiais de que a taiwanesa Foxconn poderá instalar sua fábrica de componentes eletrônicos em Maringá; a indefinição sobre a construção de um aeroporto de cargas entre Londrina e os Campos Gerais; e a negativa do governo estadual para a instalação de três cursos de Engenharia na Universidade Estadual de Londrina. Para ficar em alguns exemplos. Some-se a isto, as leis restritivas à instalação de grandes empreendimentos na cidade - como a Lei da Muralha - e a não flexibilização do horário do comércio.
Há quase duas décadas Londrina sofre com a falta de uma administração municipal forte. Ausência de governo e rusgas com os governos estadual e federal prejudicaram o desenvolvimento da cidade, pela escassez de convênios e realização de obras públicas de grande porte. É preciso pensar no futuro de Londrina, além de benefícios pessoais, em projetos que planejem e desenvolvam o município. Para reverter este cenário, é preciso uma política de investimentos nos serviços essenciais oferecidos à população e de atração de empresas.





