O Governo quer a dinamização da economia e as lojas fazem campanhas para reforçar as vendas do Dia dos Pais, mas é o próprio sistema governamental que onera os produtos mais presenteados nesta data. O perfume importado subtrai do comprador 71,36% em impostos, e com o custo final elevado muitos desistem dessa compra. Assim, a loja não vende ou vende menos, e também o Governo deixa de receber a tributação respectiva. Se o imposto fosse sete vezes menor - em torno de 10% - as vendas se decuplicariam e a receita tributária seria maior. E não pelo porcentual, mas pelo volume de operações.
As autoridades monetárias não fazem essa contabilidade, por isso arrocham, quando poderiam diminuir a carga e propiciar maior quantidade de negócios, não só num dia especial como este mas em todos os dias e em todos os setores. O ganho, para todos, seria então por mais vendas. Também os comerciantes deveriam adotar estratégia semelhante, vendendo mais a preço baixo e não retendo mercadorias em estoque por causa do alto porcentual de ganho colocado nas etiquetas. Os mais experientes e habilidosos já descobriram essa fórmula e a adotam, por isso estão sempre com a casa cheia e prosperam.
Listagem publicada ontem por este Jornal mostra a alta taxação de produtos comumente dados aos pais: charuto, 62,76%; uisque, 62,42%; vinho, 53,70%; jóias, 51,64%; DVD, 51,59%; água de colônia nacional, 51,58%; caneta de melhor padrão, 48,98%; CD, 47,25%; telefone celular, 41%; veículo pequeno, 38,75%; aparelho de som e TV, 38%; roupas e gravatas, 37,84%; sapatos, 37,37%; almoço em restaurante, 33,51%; e laptop, 25,50%. Só o livro paga imposto mais baixo: 13,18%, mas ainda assim é muito num país que quer incentivar a cultura. Não é novidade para ninguém que o Brasil é o país que mais carrega nas alíquotas dos impostos, e sob esse aspecto figura entre os atrasados, porque as autoridades ainda não entenderam a matemática de que se pode aumentar a receita pelo maior montante de vendas, dessa forma também ativando a economia e gerando empregos.
Apesar de tudo, o público compra, porque preza a figura homenageada nesta data, que é o pai. Mas no dia-a-dia os negócios não são intensos e por isso o comércio vive em aperturas. Porque os estoques se acumulam e não há giro de dinheiro. É preciso insistir que também certos lojistas equivocam-se em sua tática de carregar nos preços, e assim vendem menos, promovendo depois as tradicionais liquidações, que são no mais dos casos a evidência de que vendiam caro e que podem vender mais barato o ano inteiro. Porque nessas promoções eles não perdem, pois sempre mantêm uma margem de lucro. Essa margem é que deveria ser prevalecente e assim as liquidações seriam diárias.
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