''O que eu já disse e reafirmo é que o professor agredido não deve ter atitude de revide, enfrentando o aluno no mesmo nível. No entanto, é lógico que ele e a escola devem tomar providências'', afirma Valdir da Silva. Para o Conselho, as escolas têm várias alternativas para enfrentar a indisciplina sem ter que desrespeitar o Estatuto. ''A lei é clara, não pode expulsar e mesmo suspenso o aluno deve ser mantido na escola'', explica Marcio Antunes.
''O primeiro passo é conversar. Depois, pode ser aplicada uma suspensão obrigando o aluno a estudar na biblioteca, os pais podem ser chamados, a questão pode ser discutida com o Conselho Escolar, o aluno pode ser colocado no contraturno, pode ser trocado de período... o importante é que a escola esgote todas as alternativas antes de chamar o Conselho'', entende Rita.
Quando for ato infracional, a orientação do Conselho é diferente. ''Se o aluno agredir física ou verbalmente o professor ou outro aluno, tem que chamar a polícia imediatamente'', aconselha Marcio Antunes. Qualquer briga entre alunos que envolva armas também deve ter intervenção policial.
Os conselheiros também estão expostos à violência, principalmente dos adolescentes. ''Eu mesmo já fui mordido por um adolescente infrator, tenho a cicatriz até hoje. Eu registrei queixa e ele foi levado pela polícia. Depois disso eu voltei para trabalhar no mesmo abrigo onde ele morava e dali em diante ele passou a me respeitar'', lembra Marcio.
Outra que não hesitou em chamar a polícia foi Rita. ''Eu estava fazendo um atendimento e num momento de distração o adolescente foi até a cozinha, pegou uma faca e começou a me ameaçar. Eu chamei a polícia, registrei a queixa e o menino foi internado'', relata. ''As pessoas dizem que a gente só passa a mão na cabeça dos meninos e isso não é verdade. Quando um pai é responsabilizado porque o filho está fora da escola, indiretamente esse filho também sofre'', conclui Valdir.
Outras duas questões polêmicas são o castigo físico e o trabalho infantil. ''Em lugar nenhum do Estatuto está escrito que não se pode bater em criança'', observa o conselheiro Eduardo Miguel. ''Nenhuma mãe vai ser denunciada por ter dado uma palmada no filho'', comenta Rita. ''A gente tem muito cuidado com essa questão porque muita gente não tem limites. Atendemos uma criança que não comia há 3 dias e fomos descobrir que ela apanhou tanto e ficou tão machucada que não conseguia engolir. Eu já atendi bebês que foram hospitalizados de tanto apanhar'', alerta Rita.
Quanto ao trabalho infantil, todos concordam que ajudar em casa é educativo. ''É saudável a criança ajudar a lavar uma louça, tirar o lixo prá fora, manter o quarto arrumado. O que não pode é a criança assumir responsabilidades que são dos adultos, como por exemplo, se encarregar de todas as refeições da família'', pondera Marcio.

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