É indiscutível que o Código Florestal precisa de ajustes. Nesta semana as comissões de Ciência e Tecnologia e de Agricultura do Senado aprovaram alterações no ponto que versa sobre a recuperação de áreas de preservação permanente (APPs) em margens de rios. A emenda vai flexibilizar a recomposição em propriedades de 4 a 15 módulos fiscais, cuja medida pode chegar a 100 hectares. Anteriormente, o texto previa a consolidação de áreas rurais desmatadas até 2008, mas obrigava os proprietários de áreas em margens de rios pequenos a recompor pelo menos 15 metros de mata ciliar.
Antes da aprovação, o Código Florestal deveria ter sido amplamente debatido entre as partes envolvidas. Uma lei tão importante para o desenvolvimento do País não poderia ser decidida dentro de gabinetes e apenas baseada em ideologia. É preciso discutir o assunto com cidadãos que serão afetados e que serão obrigados a cumpri-la. Particularidades de cada região têm que ser consideradas, sistemas de plantio consolidados por várias gerações não podem simplesmente ser ignorados.
Tampouco o desmatamento está sendo incentivado. É imperativo pensarmos no futuro do planeta e na necessidade urgente de preservação do meio ambiente. Áreas de proteção - como a Amazônia e o Pantanal, por exemplo - não podem ser dizimadas. No entanto, também é preciso desconsiderar opiniões de leigos que se valem de sua presença constante na mídia para fazer discursos, totalmente inconsistentes e vazios. O debate - de um tema tão caro à Nação - deve ser estritamente técnico.
É preciso pensar no desenvolvimento do País. O agronegócio tem forte peso na balança comercial. O Brasil é um dos únicos países que ainda tem terras agricultáveis disponíveis, água em abundância e clima favorável para expandir suas fronteiras agrícolas sem desmatar o meio ambiente. O Brasil tem uma grande oportunidade de consolidar no mundo o seu papel de fornecer alimentos, de fundamental importância quando a população mundial atingiu os 7 bilhões.

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