ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS - O mundo não vai acabar
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Thiago Nassif<BR>Reportagem Local 
Os relatórios que abordam as mudanças climáticas trazem volta e meia o homem como culpado pelo aquecimento global, prevendo uma catástrofe ambiental. Enquanto muitos falam das altíssimas concentrações de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso como fatores decisivos para o derretimento das camadas polares e a incidência de tufões, secas e demais fenômenos, há quem acredite que as informações sejam verídicas, mas contêm uma boa dose de sensacionalismo.
É o que aposta o biólogo Murillo Bernardi Rodrigues, que aponta o lado positivo de todo esse frenesi: como saldo, a questão das mudanças climáticas deixou apenas os círculos científicos e ganhou dimensão popular, passando a frequentar as rodas de conversa, especialmente nas escolas. Num bate-papo com a FOLHA, o biólogo dá dicas de como ensinar crianças e jovens a se darem conta de que uma humanidade nada sustentável promove a aceleração do processo de aquecimento.
Para Rodrigues, precisamos abordar a temática de forma a mostrar que não podemos impedi-las, mas sim diminuir a velocidade em que estão ocorrendo. ''É hora de apostar no diferencial, integrando tecnologia, comunicação, mídia e educação, apresentando maneiras de como o aquecimento global é tratado pela mídia, despertando nos alunos um olhar crítico, relacionando as questões de utilização e escassez de vários recursos naturais e o lado científico de seus acontecimentos'', acredita. Só assim, segundo o biólogo, conseguiremos pensar em uma redução das consequências, num retardamento do processo e, por fim, numa humanidade sustentável.
O homem é mesmo o principal responsável pelo constante aquecimento do Planeta? O que ensinar aos alunos como atitudes práticas e objetivas a respeito?
O dito fato não é real porque não somos responsáveis pelo aquecimento, mas sim responsáveis pela velocidade e aceleração constante e crescente em que ele está ocorrendo. O aquecimento global é um ciclo natural, isso é importante que os alunos compreendam.
Como as mudanças climáticas devem ser abordadas entre crianças e adolescentes?Precisamos abordar a temática de forma a mostrar que não podemos impedi-las, mas sim diminuir a velocidade em que estão ocorrendo. Assim, conseguimos pensar em uma redução das consequências e um retardamento do processo.
Mas não estamos vivendo uma histeria em massa?
Não. Como vai demorar a acontecer, as pessoas só se preocupam com o hoje. Mas através do alarde feito pelas publicações que vários meios de comunicação distribuem, o medo toma conta de algumas pessoas. No entanto, elas não sabem que poderiam desvendar a realidade que muitas dessas notícias escondem, sanando suas dúvidas e, talvez, diminuindo seu temor.
Quais os efeitos dessa histeria em crianças e adolescentes? Qual seu temor?
Alguns adolescentes não demonstram nenhum temor a isso. Pelo fato de não acreditarem que isso possa influenciar diretamente suas vidas, e muitas vezes por não terem conhecimento do assunto, simplesmente ignoram. Outros adolescentes apresentam certa preocupação, dizendo ter medo de que catástrofes naturais possam ocorrer repentinamente, por saberem que há algum tempo atrás isso não era comum de se ouvir falar.
A linguagem para passar esses conteúdos tem que ser diferenciada. Em que alternativa o senhor aposta?
Sim, e é justamente aqui que entra o diferencial: integrar tecnologia, comunicação, mídia e educação, apresentando maneiras de como o aquecimento global é tratado pela mídia, despertando nos alunos um olhar crítico, relacionando as questões de utilização e escassez de vários recursos naturais e o lado científico de seus acontecimentos. Por fim, de acordo com os conceitos e princípios formados, usufruindo de recursos como o computador, por exemplo. Nele, os alunos podem criar propagandas utilizando alguns softwares específicos para edição de imagens e vídeos no intuito de falar sobre a importância da preservação do Planeta. Assim, o aluno aprofunda seus conhecimentos sobre o aquecimento global desenvolvendo um olhar crítico sobre esse tema e, ao mesmo tempo, aprendendo as outras ferramentas tecnológicas.


