O último domingo antes do Natal de 2002 amanheceu com mais um golpe para o consumidor paranaense. O polêmico aumento da tarifa do pedágio entrou em vigor à zero hora, depois de alimentar semanas de questionamentos sobre a legalidade da medida, com o impasse culminando na Justiça. Até o meio da tarde deste último sábado, conforme a Folha noticiou ontem, a possibilidade do aumento a partir do domingo parecia descartada, embora fosse essa a intenção das concessionárias que detêm lotes no Anel de Integração. O próprio setor jurídico da entidade que representa essas empresas admitia que a alta da tarifa, na média de 11%, dependia de uma decisão da Justiça Federal prevista para acontecer nas próximas horas. E mesmo que tal decisão fosse dada, o advogado da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) descartava, a princípio, o reajuste a partir do domingo.
Não foi o que aconteceu, apesar da posição da entidade ter sido divulgada ontem pela maioria dos veículos de comunicação. Textualmente, o advogado da ABCR disse à Folha que se a decisão da Justiça fosse favorável às concessionárias, a correção da tarifa seria automática. No entanto, frisou, as empresas precisariam ainda de mais tempo para executar os novos preços nas praças de pedágios, assim ficando descartada a possibilidade do aumento vigorar já a partir de ontem.
Desprezando esta posição e elevando já a partir do domingo as tarifas do pedágio, as concessionárias desafiam não só o atual governo, responsável por esta situação por contratar um regime de concessão inadequado, mas que pelo menos na última semana posicionou-se de forma mais firme contra o aumento previsto para este mês de dezembro. Prejudicam relações com o futuro governo, que desde a campanha eleitoral manifesta-se totalmente contrário ao atual sistema de concessões de rodovias. Compram briga com o usuário das rodovias pedagiadas, por evidenciar claramente não se preocuparem em avisá-lo do reajuste com o mínimo de antecipação.
E, mais que isso, afrontam o bom senso, por colocarem seus interesses acima dos da sociedade, que já penalizada se apronta para um Natal de dificuldades financeiras e preços exorbitantes praticados nos estabelecimentos comerciais, por culpa de um desacerto econômico nacional do qual o consumidor não tem culpa. É este o Natal que as concessionárias reservam para o Paraná.

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