Alta dos juros só beneficia os bancos
Ao contrário do que os técnicos do Banco Central (BC) estavam prevendo, os juros básicos, a chamada taxa Selic, exercem sim influência sobre as taxas praticadas no mercado. Isso fica claro na análise dos economistas ouvidos ontem pelo repórter Victor Lopes desta FOLHA. Agora, medir a extensão desse impacto sobre o crediário só vai ser possível um mês após a vigência das novas taxas. Mesmo assim, tudo vai depender dos percentuais a serem aplicados. Conforme o produto que está sendo financiado e da modalidade de crédito, talvez as financeiras nem repassem o percentual integral. Mas são exceções. A tendência é de os financiamentos ficarem proibitivos.
De modo geral a dificuldade já está criada. Consumidores e empresas começaram a pagar juros mais altos em operações de crédito antes mesmo do início do aperto monetário determinado na quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a Selic de 8,75% para 9,50% ao ano. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, a taxa média dos empréstimos subiu de 34,2% em março para 35% em abril, conforme levantamento preliminar com dados até o dia 15.
Sobre a escalada dos juros antes da decisão do Copom, autoridade do BC informou à Folhapress que isso é reflexo do movimento do mercado de juros futuros, segmento que acompanha as previsões para o comportamento dos juros básicos. Nas últimas semanas, diante da aceleração da inflação e com as apostas de que o BC iniciaria a subida do juro, o mercado futuro passou a embutir a alta há várias semanas, o que encareceu o custo do dinheiro aos bancos, empresas e consumidores antes mesmo do anúncio do Copom.
Mas, como sempre, os bancos se beneficiam das decisões do governo. Além dos juros, o levantamento preliminar do mês mostra que o encarecimento do crédito é resultado de dois movimentos: aumento da margem cobrada pelos bancos e a elevação do custo de captação pago pelas instituições financeiras para obter dinheiro no mercado. O primeiro movimento, que beneficia os bancos, tem sido mais significante. E a principal causa do encarecimento do crédito é a margem cobrada pelos bancos nos empréstimos. Na média, o spread passou de 24 pontos em março para 24,6 pontos em 15 de abril.





