Alta defensiva dos juros básicos
Confirmando previsões de consultorias financeiras independentes e economistas entrevistados por esta FOLHA, o Conselho de Política Monetária (Copom) decidiu ontem aumentar a taxa básica de juros (Selic) para 9,5% ao ano. A alta de 0,75 ponto percentual era esperada também por parte do mercado financeiro, mas a maioria dos economistas apostava em alta de 0,50 ponto percentual. E os economistas do governo descartavam a tendência.
Como isto afeta o comerciante e o consumidor, enfim todos os agentes da economia? Em primeiro lugar, mais importante que o percentual é o que o reajuste sinaliza. Ele está indicando em primeiro lugar o esforço do governo para conter a inflação, através instrumento monetário: remédio mais forte. Em segundo lugar está avisando que vem aí uma desaceleração da atividade produtiva e que isto pode implicar até em dispensa de mão de obra, dependendo do tipo de atividade. É o efeito da acomodação do mercado a um novo ciclo de aperto monetário. E, querendo, o leitor pode acrescentar ainda que a economia brasileira não está com grau de imunidade suficiente para variações monetárias.
É a primeira alta de juros desde setembro de 2008, dias antes da quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro daquele ano, estopim da crise financeira internacional. Desta vez o comunicado do Banco Central foi mais claro e até didático: Dando segmento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,5% ao ano sem viés, explica o BC.
Economistas estão dizendo agora que o reajuste só não foi maior para não impactar no ano eleitoral. Isto mostra que o remédio teria que ser mais amargo. Na véspera a Folhapress informou que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, já havia informado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que os juros levariam uma paulada, argumentando que o desgaste eleitoral seria menor e o efeito na economia mais rápido. Na verdade, pauladas sobraram também para o mercado que vinha apresentando bom desempenho. Juros altos inibem o consumo, reduzem a atividade econômica e, ao retrair o consumidor (demanda) afeta a produção e gera desemprego. Só interessa mesmo aos bancos.





