Alma lavada
A participação gloriosa da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2002, encerrada ontem no momento em que Cafu, o capitão da equipe, levantou o troféu que confirmou ao Brasil o título de Pentacampeão Mundial de Futebol, representou não somente a consolidação de uma condição esportiva que agora passa a ser mais respeitada e reconhecida internacionalmente, depois de presença ofuscada em edições anteriores do evento. Pois esta não foi a Copa da vitória moral do País, como ocorreu no passado, quando o título escapava nos momentos decisivos depois de sofridos confrontos até chegar próximo à final. Esta foi a Copa da redenção para toda a Seleção Brasileira e para os seus principais jogadores, sem considerar os milhares de torcedores que, na ânsia de um pouco de alegria num período de violências e crises, almoçaram, jantaram e dormiram as cores verde e amarelo durante 31 dias.
Foi a Copa do esforço coletivo do Brasil em busca de uma conquista importante. E a melhor demonstração disso saiu, justamente ontem, na decisão, dos pés de Ronaldo. Uma participação infeliz na edição anterior da Copa e dois anos e meio de recuperação, período no qual enfrentou uma bateria de cirurgias e exercícios fisioterápicos, haviam tirado um pouco da alegria do rosto do menino modesto que ganhou fama por seu talento no futebol. Mas nesta Copa o menino voltou disposto a mostrar que ainda fazia jus à fama de craque. Sorrindo com a mesma modéstia de sempre, encerrou o evento como artilheiro.
Foi a Copa da redenção também para Rivaldo, cujos pés foram decisivos na conquista do Penta. Rivaldo cresceu com a equipe e a equipe cresceu com o Brasil. E o Brasil, pintado de verde e amarelo, fez sobressair outros talentos, como Ronaldinho Gaúcho e o firme menino Klebérson, que atuou em suas poucas participações na equipe como um gigante. Foi tanta a participação do torcedor brasileiro nessa conquista e tamanho foi o amadurecimento dos jogadores que, durante as comemorações, o Brasil assistiu, emocionado, o passeio da faixa confeccionada a pedido da Seleção Brasileira para agradecer o carinho da torcida.
Também por isso, esta foi a Copa do amadurecimento. E não se iludam os políticos. Ao contrário de 1970, quando se tentou camuflar o desastre político com a vitória esportiva, agora se percebe uma Nação gigante que briga por suas conquistas. O Brasil está de alma lavada.





