As tradicionais liquidações de janeiro e o forte calor contribuíram para alavancar as vendas do comércio neste início de ano. Balanço divulgado pela Serasa Experian aponta para um aumento de 1,7% nas vendas em janeiro sobre dezembro, descontados os fatores sazonais. Na comparação com o mesmo mês de 2013, o crescimento foi de 5,9%. O resultado é bom, ainda mais se considerado o aumento de despesas para o período, como IPVA, IPTU e compra de material escolar.
Os segmentos que mais cresceram foram as vendas de móveis, eletroeletrônicos e informática, além dos revendedores de combustíveis e lubrificantes.
Na ponta final da economia, o comércio ajuda a fomentar a produção industrial – que está em queda – e a manutenção do emprego. No entanto, tão importante quanto vender é receber e, nesse ponto, pode-se afirmar que há riscos. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas indica que a inadimplência subiu 7,84% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado, interrompendo a sequência de quedas que vinha sendo registrada. Essa movimentação é esperada para o período, mas abre um "sinal de alerta".
O excesso de crédito disponível no mercado, aliado à demanda reprimida por bens de consumo e à falta de educação financeira, pode levar a exageros de consumo. Para evitar uma inadimplência alta é importante que seja trabalhada a educação financeira dos brasileiros. As pessoas precisam saber planejar suas compras ajustadas ao orçamento familiar, a ter uma poupança para imprevistos. É fundamental que seja feito esse trabalho até para evitar "bolhas" financeiras.
Além de trabalhar projetos e ações com foco no comportamento dos consumidores, que são fundamentais, se fazem urgentes reformas mais estruturais que fomentem a economia como um todo. A partir de mudanças que incentivem a produção e que reduzam o "custo Brasil" o País todo sairá ganhando.

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