O fim da CMPF não vai significar, pelo menos de imediato, redução de custo para os consumidores. No economia real, os recursos deverão ser absorvidos pelas próprias empresas. Já as famílias terão aumento do poder de compra - de acordo com o volume financeiro e o grau de utilização do sistema bancário. A avaliação é do professor de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Joílson Dias - que também não acredita em queda de arrecadão do governo federal.

Quais as principais repercussões do fim da CPMF?
Vamos ter dois efeitos. Primeiro, o volume de recursos vai ficar na mão das pessoas físicas e jurídicas que pagavam esse imposto e, se você tomar a mesma proporção do que ocorre hoje, podemos esperar que 80% desse recurso vai se tornar consumo. Isso significa dizer uma maior demanda por parte das famílias por bens e serviços econômicos. A outra parte da questão está relacionada ao governo, que está dizendo que há uma perda de receita no mesmo volume, de R$ 40 bi a R$ 42 bi por ano. Mas a gente não concorda porque se 80% do volume vai voltar como demanda, grande parte disso vai virar impostos e a perda vai ser bem menor. Pode ser até que a gente verifique novos recordes de arrecadação. Isso vem acontecendo ao longo desse ano, em que já tivemos aumento de arrecadação em vários impostos que estavam associados ao aumento do poder de compra das famílias.

Em cada família isoladamente, o impacto será significativo?
Em geral, o benefício será estendido a todos, mas o efeito e a dimensão certamente vai aparecer em diferentes proporções para cada pessoa. Depende muito do volume de cada família. Naturalmente famílias que usavam pouco a conta bancária, vão ter muito menos recursos em suas mãos.

E nas empresas?
O impacto também será bastante diferenciado. Há empresas que têm grandes custos de CPMF, mas outras menores, por exemplo, tentam minimizar esse efeito segurando cheques e transferindo para terceiros até alguém assumir e depositar. Nessas transações vão aparecer depósitos em conta já que elas deixaram de pagar esse custo. Agora, precisamos entender que isso é um custo de transação para a sociedade - não é só imposto para o governo.

A afirmação dos empresários de que a CPMF encarece o produto final significa que teremos queda de preço a partir de agora - principalmente nos setores em que a cadeia é longa e a tributação era feita em cascata?
Os preços de uma cadeia muito longa realmente tinham um efeito cascata que encareceria o produto. Mas eu acho que, de imediato, não vamos ter queda. Pode acontecer a médio prazo, já que no começo vamos ter um aumento de demanda em razão dos R$ 40 bi a mais para consumo. Agora, com o fim da CPMF os empresários vão poder segurar a inflação já que eles têm essa margem para menor. Então, a gente vê isso como beneficiário nesse primeiro aspecto.

Certo, mas na ótica do consumidor - e levando em conta o que vinha sendo dito...
Haveria queda de preços.

Para compensar o fim da CPMF, o governo deve aumentar outros impostos?
Acho que o governo vai fazer de tudo para aumentar, mesmo que esteja batendo recordes de arrecadação.

E o risco país? Pode haver piora na percepção externa do equilíbrio fiscal?
Não, porque há folga com tranquilidade na meta de superávit, então não chega a ser problemático do ponto de vista macro econômico. Segundo porque vamos ter aumento da arrecadação e as pessoas sabem fazer essas contas e que vai voltar, em grande parte na forma de outros impostos - principalmente se considerar que 40% do consumo é imposto. Como o efeito é multiplicativo, isso logo vai voltar ao patamar normal.

mockup