Desde o ano passado o forte aumento de preços dos alimentos tem assustado os consumidores. Apontado como o "fiel da balança" na composição do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano passado, em 2014 o grupo continua exercendo grande influência na formação do índice oficial. Nos primeiros três meses do ano, os custos do setor atacadista foram os vilões; em 2013, itens do grupo alimentação ficaram cerca de 8% mais caros.
O problema é que não há como estimar a variação de preços dos alimentos. A produção sente fortemente os impactos dos fenômenos climáticos e até mesmo da safra colhida em outros países. No ano passado, por exemplo, a inflação apurada ficou bem próxima do teto da meta definida pelo Banco Central, que é 6,5%. Isso porque as tarifas controladas pelo governo, como transporte público e energia elétrica, por exemplo, não foram reajustadas depois dos protestos populares realizados em junho.
Para 2014, embora seja ano eleitoral, há previsão de aumento da tarifa de energia, que terá impacto no índice inflacionário. Provavelmente, o mesmo ocorrerá com o transporte público. São fatores que não há como adiar por muito mais tempo, até porque custos fixos como salários de funcionários, impostos, contribuições e materiais e equipamentos para manter a operação não param de subir. Outro fator importante é o combustível. A Petrobras tem registrado prejuízos porque alega que absorve as flutuações cambiais dos preços praticados no mercado internacional. Uma hora a conta tem que chegar.
No entanto, é importante que a população fique atenta para que os preços não voltem a fugir do controle. Inflação alta não traz benefícios a nenhum elo da cadeia produtiva. Importante também que a opinião pública pressione o governo por mais austeridade na economia. Cortar gastos, promover a reforma tributária e tomar decisões mais técnicas, em detrimento de jogos políticos, são fatores fundamentais para que o Brasil encontre o caminho do desenvolvimento.

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