Sinal amarelo na mesa do paranaense. O uso exagerado ou incorreto de agrotóxicos tem colocado em risco a saúde dos consumidores. De acordo com levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o pimentão, por exemplo, apresentou resíduos químicos em 80% das amostras analisadas no País. No Paraná, o resultado foi ainda pior: 85%.
  Os altos índices de contaminação também são observados em outras culturas, como o morango (que apresentou resíduos em 50% das amostras no País e 71% no Estado), abacaxi (44% contra 85%) e mamão (38% contra 57%).
  Estudo do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) apontou que o Estado utiliza 12 quilos de agrotóxico por hectare ao ano, enquanto a média brasileira é de 4 quilos por hectare ao ano. Estamos na terceira colocação no ranking dos que mais consomem agrotóxicos.
  O risco aumenta quando se leva em consideração o avanço da utilização de produtos falsificados. Entre janeiro e abril de 2011, foram apreendidas nas fronteiras brasileiras 15,6 toneladas de produtos ilegais, aumento de quase 20% em relação ao mesmo período do ano passado.
  Agora o desafio é determinar os efeitos desses números no organismo. No Paraná, pesquisadores investigam se os defensivos têm relação com o fato de a incidência de um tipo raro de câncer ser 15 vezes maior aqui do que no restante do País, como mostra reportagem especial que a FOLHA publica hoje.
  O uso dos defensivos agrícolas tornou-se importante ingrediente na agroindústria brasileira. Quando utilizados os tipos indicados para cada cultura e respeitados as indicações técnicas, os riscos à saúde são reduzidos, afirmam os especialistas.
  O problema é que falta informação no campo e a fiscalização também deixa a desejar. O somatório desses fatores coloca em xeque a saúde da população.

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