Alimento mais caro pressiona a inflação das famílias londrinenses
Alta do arroz, da carne e de outros itens básicos reduz o poder de compra e exige estratégias para conter os preços
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Alta do arroz, da carne e de outros itens básicos reduz o poder de compra e exige estratégias para conter os preços
Folha de Londrina 
A alta dos preços dos alimentos é uma das formas mais concretas de inflação para as famílias. Não é preciso acompanhar índices econômicos para perceber seus efeitos. Basta ir ao supermercado. Em Londrina, a cesta básica pesquisada pelo Nupea (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas) da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) chegou a R$ 716,68 em setembro, 6,24% acima do valor registrado no mês anterior. Em 12 meses, a alta chega a 13,56%.
O resultado merece atenção porque a alimentação ocupa uma parcela maior do orçamento justamente entre as famílias de menor renda. Quando os preços dos produtos básicos avançam acima dos rendimentos, sobra menos dinheiro para aluguel, transporte, energia, saúde e outras despesas. O próprio levantamento mostra que o poder de compra do salário mínimo caiu 4,46% na comparação entre janeiro e setembro deste ano e o mesmo período de 2025.
O arroz, presença diária no prato dos brasileiros, foi o produto que mais encareceu em setembro, com alta de 20%. Segundo o Nupea, pesou sobre o mercado a maior demanda da indústria para recomposição dos estoques, em um cenário de menor oferta. A carne bovina, que tem o maior peso entre os 13 itens da cesta, também subiu 8,8%, pressionada pelas exportações aquecidas e pela oferta mais restrita de animais para abate.
São exemplos de como diferentes fatores se combinam até chegar ao preço pago pelo consumidor. A produção de alimentos está sujeita às condições climáticas, aos custos de sementes, fertilizantes, energia e combustíveis, além de transporte, armazenamento e comercialização.
O clima já aparece diretamente na pesquisa de setembro. As baixas temperaturas nas regiões produtoras reduziram a oferta de tomate ao retardar a maturação, contribuindo para uma alta de 17,6% no produto. Em um cenário de eventos climáticos extremos que têm ganhado espaço no noticiário, essa vulnerabilidade merece atenção adicional.
Não há solução simples para uma questão que envolve uma cadeia tão extensa, mas é preciso buscar estratégias que ampliem a oferta, reduzam custos de produção e distribuição, deem maior previsibilidade ao produtor e diminuam os efeitos de choques sobre a produção.
A comida precisa pesar menos no orçamento das famílias. A inflação dos alimentos é uma redução concreta do poder de compra e, para quem tem menos renda, pode significar escolhas difíceis justamente em uma das necessidades mais básicas da vida.
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