Enquanto na Inglaterra, por exemplo, não há imposto sobre os alimentos e na Europa ele é em média de 6,5%, no Brasil o Governo abocanha 22,5%. O que entra a menos na boca do consumidor pobre – que é o que mais sente o problema – é destinado a refestelar a bocarra do sistema governamental. Além de cobrar os impostos mais caros do mundo em quase tudo, o Governo não perdoa nem a faixa alimentar, em cuja tributação é igualmente campeoníssimo.
  Reportagem publicada pela FOLHA, com base em informes do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, mostra que é a população de mais baixa renda que paga por esse descalabro. Porque o alimento é um dos seus itens de maior gasto, junto da água e da energia elétrica, e a alíquota elevada incide sobre produtos básicos como arroz, feijão e carne, café, açúcar, leite, pão e margarina, óleo, batata, tomate e farinha de trigo.
  Este é o mais ignominioso pecado que se comete contra a classe menos favorecida e também contra a classe média, esta formando a maior parte da população. Isto ocorre num país que tem auto-suficiência em produção de alimentos mas grande parcela dos consumidores não pode adquiri-los na quantidade desejada. Sobre informar o consumidor acerca de quanto ele paga de tributos no que usa e consome – como se defende – o economista Flávio Oliveira dos Santos, ouvido pela FOLHA, diz que ‘‘o brasileiro não tem para onde correr’’, e indaga: ‘‘Saber isso (a alíquota) para que? Cobrar de quem?’’. Naturalmente que se deve cobrar dos homens públicos e da consciência deles, mas esta é escassa. São vários os itens de imposto incidente sobre a alimentação básica, mas não é tanto a quantidade deles que pesa e sim as alíquotas. Também as classes de padrão mais elevado são tangidas, embora tenham maior resistência. Nesta faixa, só para citar um exemplo, o custo final de um veículo é de quase 40%, mas o adquirente paga na continuidade todos os ônus pertinentes, como IPVA, seguro obrigatório, imposto sobre combustíveis, pedágio, Zona Azul e assim por diante.
  O Governo populista do PT, que tanto apregoa a defesa da classe pobre, prefere valer-se de artifícios como a remessa mensal em dinheiro às famílias carentes – o que ajuda mas não rompe os grilhões da pobreza, embora renda pontos de aprovação popular para Lula, como se viu na última pesquisa. O Brasil tem melhorado em muitos setores mas o cidadão mais atento sabe que não foi por mérito do Governo e sim pelo arrojo da iniciativa privada, que faz avanços. Apesar do Governo.

mockup