Curitiba Apesar de uma linha de profissionais da área de nutrição defender a tese de que não existe uma alimentação saudável padrão, todos são unânimes em afirmar a necessidade de que a alimentação deve conter uma série de nutrientes. Ou seja, aconselha-se a ingestão de carboidratos, responsáveis pela produção de energia, das frutas com suas vitaminas, de hortaliças, que são ricas em minerais, e de proteínas, ferro e cálcio existentes nas carnes e derivados do leite.
Seguindo este conceito, grande parte dos nutricionistas parte do princípio preconizado pela ''pirâmide alimentar'', um método criado nos Estados Unidos e usado, hoje, em praticamente todo o mundo. ''A pirâmide traz conceitos clássicos. Ela prevê variedade de produtos, uma vez que nenhum grupo de alimento é tratado como sendo mais importante do que outro; prevê a proporcionalidade, dizendo quanto comer de cada item; e, ainda, recomenda moderação na ingestão de açúcares e gorduras'', diz a nutricionista Maria Emília Daudt von der Heyde, responsável pelo ambulatório adulto, infanto-juvenil do Hospital de Clínicas.
''As pessoas deviam comer pensando em adoecer menos'', diz Emília, reforçando a necessidade de se comer de tudo de forma adequada. Neste ponto, existe uma divergência entre os especialistas. Emília e seu marido, Raul von der Heyde, doutor em Nutrição pela Escola Paulista de Medicina, não concordam com a supressão total da carne vermelha do cardápio, como fazem muitas pessoas. ''Recomenda-se não comer muita carne, no máximo duas a três vezes por semana, porque ela é rica em colesterol e gordura saturada, mas em compensação contém ferro, que é o melhor absorvido pelo organismo'', explica von der Heyde.
Ele lembra que a gordura aparente deve ser retirada da carne, assim como a pele do frango, que também é rica em colesterol. E ambos concordam que o ferro existente nos vegetais não é suficientemente absorvido com a mesma eficiência do ferro de origem animal. ''Quem é vegetariano ou macrobiótico deve ter algum tipo de deficiência nutricional. A vitamina B12, por exemplo, só tem em origem animal'', diz Emília.
''É claro que precisamos comer uma série de nutrientes. Mas isto não significa que a necessidade é a mesma para todas as pessoas. O ser humano se adapta a certo tipo de alimentação graças à sua fisiologia'', esclarece a socióloga Léa Resende Archanjo, professora do curso de Nutrição do Centro Universitário Positivo (UnicenP). Mesma opinião tem o nutrologista Gustavo Gomes de Castro Soares. Para ele, com bom senso cada pessoa pode determinar sua própria dieta, seja abolindo a carne ou não.
Para pessoas sem problemas de saúde, nenhum profissional impõe grandes restrições. ''Dá para comer brigadeiro, chocolate, dá para comer de tudo, desde que moderadamente'', afirma a nutricionista Gisele Pontaroli Raymundo, professora do UnicenP, que também não vê problemas em dietas ausentes de carne.
Já nos casos de problemas de saúde, a mudança de hábitos alimentares é sempre necessária. Especialista no tratamento de pessoas com problemas de colesterol (LDL) alto, do colesterol bom (HDL) baixo ou alta taxa de triglicerídios, Heyde afirma que, nestes casos, é recomendável que as pesoas reduzam a ingestão de fontes de gordura saturada (leite integral, queijo, manteiga, creme de leite, vísceras, crustáceos, chocolate ao leite, etc). Ao mesmo tempo, recomenda-se a ingestão de fibras, hortaliças, leite desnatado e produtos light ou diet.

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