Alimentação saudável
O avanço dos alimentos ultraprocessados na dieta dos brasileiros acende um alerta que vai muito além das estatísticas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
O avanço dos alimentos ultraprocessados na dieta dos brasileiros acende um alerta que vai muito além das estatísticas
Folha de Londrina 
O avanço dos alimentos ultraprocessados na dieta dos brasileiros acende um alerta que vai muito além das estatísticas. Desde os anos 1980, a participação desses produtos mais que dobrou no país, saltando de 10% para 23% do consumo total, segundo a série de artigos publicada na Lancet por pesquisadores da USP e de outras instituições.
Trata-se de uma transformação silenciosa, mas profunda, que acompanha tendências globais e se relaciona diretamente à elevação das doenças crônicas. O debate, contudo, não deve ser reduzido a um confronto entre sociedade e indústria. É preciso reconhecer que esses produtos ganharam espaço por sua conveniência, preço e forte presença no mercado — razões que explicam por que o fenômeno se espalhou entre diferentes faixas de renda e culturas.
Ignorar o impacto do consumo excessivo seria fechar os olhos para uma evidência já consolidada. Estudos de longo prazo mostram associação consistente entre dietas baseadas em ultraprocessados e maior risco de diabetes, obesidade, câncer e doenças cardiovasculares. A conta desse padrão alimentar, embora individual na aparência, recai sobre toda a sociedade.
A prevenção é uma estratégia sensata para reduzir o peso crescente sobre o SUS (Sistema Único de Saúde). Investimentos em educação alimentar, incentivo ao esporte e formação de hábitos saudáveis têm efeito comprovado — e custam muito menos do que tratar doenças evitáveis.
As políticas públicas voltadas à alimentação saudável precisam sair do escopo restrito das escolas, onde têm mostrado resultados, e alcançar as famílias. Informação clara nos rótulos, regulação equilibrada da publicidade e programas que aproximem a população de alimentos in natura e minimamente processados são medidas que não inviabilizam a indústria, mas orientam escolhas mais conscientes.
Ao Estado cabe criar condições; às empresas, responsabilidade no desenvolvimento e oferta de produtos; e à sociedade, o compromisso de reconstruir uma relação mais equilibrada com a própria alimentação.
A promoção da saúde deve começar na mesa de casa, passando pelas praças esportivas e precisa ser sustentada por políticas públicas alinhadas ao bem-estar da população. Se a mudança de padrões alimentares ocorreu em ritmo acelerado nas últimas décadas, é possível também avançar para um modelo mais saudável — desde que haja, de todos os lados, disposição para agir antes que a conta continue crescendo.
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